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França, o alarme está soando
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Editorial opinião

França, o alarme está soando

O resultado das recentes eleições para o Parlamento Europeu causaram preocupação em todo o mundo democrático. Os candidatos de extrema direita obtiveram crescimento significativo da bancada, que subiu de 119 para 131 cadeiras. A crise econômica, corrupção, política para imigrantes e custo das políticas ambientais são apontadas como as causas desse crescimento. Soma-se também o domínio que os extremistas têm nas redes sociais, e a "normalização" da ultradireita, como um participante legítimo do jogo político, como propulsores desse avanço.

Após ser conhecida a nova composição do Parlamento Europeu, o presidente da França, Emmanuel Macron, dissolveu o parlamento, a Assembleia Nacional francesa, convocando eleições legislativas antecipadas. Nas eleições europeias, o seu partido, Renascimento, teve menos votos do que o Reunião Nacional, da líder ultradireitista Marine Le Pen. Entre as diversas teorias que tentaram explicar o gesto de Macron — cujo mandato vai até 2027, independentemente do resultado das disputas legislativas —, a mais provável é que ele imaginava que conseguiria eleger aliados para ampliar a sua bancada na Assembleia Nacional, confiando que os franceses votariam contra a extrema direita.

Mas o resultado não foi o esperado. No primeiro turno das eleições a Reunião Nacional conseguiu um resultado considerado "histórico", vencendo com 33,15% dos votos, à frente do bloco de esquerda e da aliança centrista do presidente Macron, que ficou com 20% dos votos. Se resultado equivalente acontecer no segundo turno, que será disputado neste domingo, o partido de Le Pen terá o direito de indicar o primeiro-ministro. Nesse caso, assumirá a chefia do governo o jovem Jordan Bardela, de 28 anos de idade, cuja principal estratégia política é saber manejar o Tik Tok, onde tem grande popularidade, confirmando a tese de que as redes sociais são uma área dominada pela política extremista.

As eleições parlamentares na França são distritais, podendo ir mais de dois candidatos ao segundo turno. Para evitar que a extrema direita chegue ao poder, partidos de esquerda e centro criaram a "frente republicana" para deixar apenas dois candidatos em cada distrito na eleição de hoje. Segundo a imprensa francesa, mais de 200 candidatos já abriram mão em favor de colegas esquerdistas ou centristas, para enfrentar diretamente os candidatos da Reunião Nacional.

Como disse o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, a respeito do crescimento da extrema direita: "Precisamos estar muito atentos porque a história nos diz, em particular na Europa, que difamação do outro, a injúria do outro é um prenúncio do que está por vir. É um alarme que precisamos tocar".

Democratas de todo o mundo acompanham a disputa eleitoral americana, prendendo a respiração, e o mesmo acontece com a França. A diferença é que o desfecho nos Estados Unidos será em novembro; na França, a conclusão será hoje. n

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