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Candidaturas negras refletem diversidade brasileira
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Editorial opinião

Candidaturas negras refletem diversidade brasileira

Dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados na última semana revelam que o Brasil tem o maior número de candidatos que se autodeclaram pretos e pardos da história. São exatas 240.587 pessoas que representam 52,7% do total das candidaturas para prefeito e vereador no País
Tipo Opinião

É como se, de repente, a maioria dos candidatos neste atual processo eleitoral tivesse se declarado negra. Dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados na última semana revelam que o Brasil tem o maior número de candidatos que se autodeclaram pretos e pardos da história. São exatas 240.587 pessoas que representam 52,7% do total das candidaturas para prefeito e vereador no País. Em 2022, esse percentual foi de 50,2% e nas eleições de 2018, a taxa havia ficado em 46,4%.

Este foi o ano em que o número de candidaturas negras - que para o IBGE reúne pessoas que se autodeclaram pretas e pardas - mais se aproximou da realidade étnico-racial brasileira. Segundo o censo de 2022, a população negra no Brasil é 55,5%. E esta, sim, foi uma surpresa, porque desde que o IBGE começou a fazer o Censo, em 1872, a população branca sempre foi apontada como maioria entre os candidatos, até que em 2010, o pêndulo dessa vantagem numérica absoluta começou a se deslocar.

O processo eleitoral como espelho da sociedade está refletindo, de fato, um aspecto da formação do povo brasileiro que, por um século e meio, ficou adormecido. O despertar se deu por meio das discussões que colocaram questões raciais no dia a dia da vida dos brasileiros. Reconhecer as origens afrodescendentes tornou-se algo até desejável diante de uma legislação que pretende reparar, com políticas públicas, verdadeiros fossos de desigualdades econômicas e sociais que atingiam - e atingem ainda - milhões de brasileiros.

Esse novo arcabouço legal se reflete também no processo eleitoral que determina que os partidos políticos tenham cotas de candidaturas negras, ou seja, que realmente reflitam a sociedade brasileira. Mas é justamente este o ponto que merece atenção redobrada. Na ânsia de atender a legislação, muitas vezes alguns arremedos são colocados em prática e desvirtuam o real sentido da lei. Não só durante o processo eleitoral. A Lei das Cotas para entrada em universidades públicas, por exemplo, é vítima de inúmeras tentativas de burla.

Muitos partidos já foram pegos contrariando a lei que os obriga a ter cotas de representantes femininas, por exemplo. Com as candidaturas de negros não deve ser muito diferente, daí porque a atenção máxima que legislador eleitoral precisa ter para o que o real avanço das candidaturas de pessoas negras se torne efetivo.

Uma das maiores riquezas que o Brasil tem é sua diversidade, mas é como se isso só fosse festejado na cultura e na arte que fazem do País uma referência para o mundo. Ora, na política, isso também faz diferença. A força de um país é seu povo. E ele precisa estar representado em todas as instâncias de poder. Para o bem do Brasil.

 

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