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A crise com a Venezuela e seu novo momento
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Editorial opinião

A crise com a Venezuela e seu novo momento

O governo da Venezuela compra uma briga desnecessária, para ele, ao colocar o Brasil entre os países com os quais mantém hostilidade a partir de gestos como o que anunciou recentemente, retirando autoritariamente a autorização para que representássemos, no campo diplomático, o interesse da Argentina em Caracas. Com gestos grosseiros imediatos, como o corte de fornecimento da energia ao prédio que tinha sob sua custódia e o cerco a ele imposto com homens armados e encapuzados.

É incompreensível que Nicolás Maduro tenha decidido abrir mão do papel conciliador que o Brasil se dispôs a assumir na crise que se arrasta há meses devido ao confuso processo eleitoral ali observado. Ao invés de reconhecer e valorizar isso, até como força de fortalecer um aliado de peso, dentre poucos que ainda se dispunham a absorver o ônus que representa hoje tentar defender a soberania de Caracas para resolver seus problemas internos, a opção das últimas semanas tem sido por agredir o presidente Lula e seu governo, de variadas formas.

Esta última, que tensiona as relações agora, retirando a custódia brasileira sobre o prédio da representação argentina. Um gesto que era generoso, especialmente porque buscava evitar um problema maior com um país vizinho atualmente liderado por um líder ideologicamente hostil. Aliás, com quem também o governo brasileiro atual não mantém a melhor das relações, o que indica o tamanho do esforço feito e que Maduro ignora com sua medida radical e violenta.

Lula age certo com a cobrança que tem feito mais recentemente às autoridades venezuelanas para que apresentem as tais atas eleitorais, na expectativa de que isso levaria a comunidade internacional a eliminar as dúvidas que segue expressando quanto à legitimidade da vitória de Nicolás Maduro na sua candidatura à reeleição, anunciada e homologada pelas instâncias judiciais do país. No mesmo contexto, algo que o colega venezuelano opta por ignorar, o dirigente brasileiro diz também não aceitar o resultado que a oposição reivindica, que indicaria Edmundo González Urrutia como real vencedor da eleição, valendo-se de uma apuração de votos que também carece de validade. Ou seja, não se trata de uma tomada de posição diante da dúvida que divide o mundo acerca do momento político-eleitoral crítico no país.

Enfim, as novas circunstâncias da crise na Venezuela encaminham o Brasil para uma posição mais ajustada, distante de fundamentos ideológicos que criam dificuldades quando prevalecem como valor absoluto. Um aliado inconveniente desde sempre, Nicolás Maduro volta a desafiar nossa capacidade de exercer diplomacia respeitando soberanias e buscando as melhores soluções na perspectiva da sociedade e não de governos, ou, de governantes. Aliás, o próprio esforço que fazemos agora para defender a segurança da embaixada de um país com o qual há tantas diferenças de visão de mundo simboliza, em si, a boa insistência do Itamaraty pela busca de uma saída pelo diálogo. n

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