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Truculência da PM-SP obriga governador a dar explicações
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Truculência da PM-SP obriga governador a dar explicações

As frequentes abordagens truculentas da Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo ficaram tão evidentes, após a divulgação de uma série de vídeos com agressões cometidas, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) viu-se obrigado a dar explicações públicas. O chefe do Executivo paulista também recuou de sua posição intransigente contra o uso de câmeras nas fardas dos policiais.

"Eu estava completamente errado" sobre as críticas que fazia ao dispositivo, reconheceu ele. Tarcísio admitiu que sustentava "uma visão equivocada", resultado de uma "experiência pretérita", sem especificar qual seria essa vivência.

Mas a fala do governador veio apenas depois de várias ocorrências violentas da Polícia Militar, a mais expressiva delas durante uma operação no litoral paulista, no meio do ano passado, que deixou 28 suspeitos mortos, em supostos confrontos com as forças policiais. Quando organizações da sociedade civil apontaram violação dos direitos humanos, Tarcísio respondeu com um "não tô nem aí".

A recente escalada de violência da PM inclui o assassinato praticado por um policial de folga, que atirou várias vezes nas costas de um homem que furtava pacotes de sabão de um estabelecimento; a morte de uma criança de quatro anos, atingida pela bala saída da arma de um agente e, por fim, um vídeo mostrando um homem, rendido sendo jogado do alto de uma ponte de três metros de altura.

O secretário da Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite, oficial da reserva da Polícia Militar, disse, em entrevista à CNN, que não vai tolerar "desvios de conduta" por parte de policiais militares.

Ocorre que o seu exemplo, ao longo de sua carreira militar, confronta suas declarações. Levantamento da revista Piauí mostra que ele foi investigado por 16 homicídios em ações das quais participou. Derrite também já disse ser "vergonhoso" um policial, com cinco anos de carreira, não ter participado de pelo menos "três ocorrências" que terminaram em homicídio, para depois voltar atrás. Quanto ao fato de ter sido afastado um batalhão especial da PM, respondeu: "Matei muito ladrão".

Com uma chefia desse nível, não é de espantar que as mortes cometidas por PMs paulistas tenham aumentado 46% até 17 de novembro deste ano, comparado com o mesmo período de 2023, segundo o Ministério Público. Os subordinados sentem-se incentivados a agir da mesma forma.

Portanto, é preciso acompanhar se a autocrítica que secretário e governador de São Paulo estão fazendo agora é para valer, ou apenas tentativa de fazer baixar a poeira, para depois voltar à situação anterior.

Ainda é preciso lembrar que as abordagens violentas da PM não acontecem apenas em São Paulo, mas são comuns em todos os estados. Esta semana, em Sobral (CE), câmeras de segurança gravaram um policial agredindo a socos e chutes um homem rendido, com as mãos na cabeça.

Essa situação precisa ter fim, a Polícia, uma instituição cujo objetivo é proteger o cidadão, não pode transformar-se em seu carrasco. n

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