
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
É lamentável a atitude da Câmara Municipal de Fortaleza que, às vésperas do recesso parlamentar, aprovou medidas na área ambiental que impactarão negativamente 10 bairros de Fortaleza.
Não é a primeira vez que os vereadores agem em desfavor do meio ambiente, flexibilizando regras de proteção dessas áreas. Em maio, foram aprovados projetos suprimindo trechos de proteção e recuperação ambiental.
Agora, de uma tacada só, ao fim do mandato dos atuais vereadores, foram aprovados nove projetos e emendas que excluem ou enfraquecem áreas de proteção do ambiente. Essas medidas não constavam inicialmente da pauta de votações.
Para correr com a aprovação foram realizadas, em um único dia, três sessões plenárias: uma ordinária e duas extraordinárias. A incomum pressa demonstrada pelos parlamentares não faz sentido pois, se existe alguma urgência, é a de preservar locais em que a vegetação ainda resiste, ou recuperá-los em áreas degradadas.
As aprovações incluíram a exclusão de zona de proteção ambiental (ZPA), zona de recuperação ambiental (ZRA), zona especial ambiental (ZEA) e zona de interesse ambiental (ZIA). Ou seja, o estrago foi grande.
Um dos projetos aprovados é de autoria do vereador Luciano Girão (PDT), que extingue 11,4 hectares da zona de interesse ambiental (ZIA), no Parque do Cocó, no bairro Manuel Dias Macedo. O mesmo vereador havia apresentado essa proposta no mês de junho deste ano, sob a justificativa de que a área já estava densamente povoada.
No entanto, reportagem do O POVO, à época, mostrou que pelo menos 50% da área ainda conservava vegetação original. Depois das críticas que recaíram sobre o projeto, o vereador retirou a proposta. Mas, como se pode comprovar agora, ele apenas esperou o momento oportuno para voltar à carga.
Para completar, os vereadores derrubaram os vetos do prefeito José Sarto (PDT) que barravam algumas medidas mais nocivas. Votaram para invalidar os vetos 25 vereadores, a maioria da base de Sarto. Para manter os vetos, apenas dois votos: Gabriel Aguiar e Adriana Geronimo, ambos do Psol.
É de se lembrar que o papel de um vereador é desenvolver atividades que resultem na proteção da sociedade e do meio ambiente. Nem mesmo o aquecimento global, e suas decorrentes tragédias, parece sensibilizar os representantes do povo sobre a importância de proteger e ampliar a cobertura vegetal, de modo a reduzir danos.
Ouvido por este jornal, o biólogo Thieres Pinto, especialista em biodiversidade, disse que, caso a área do Cocó, onde foi extinta a zona de interesse ambiental, seja impermeabilizada por mais construções, o local ficará vulnerável a inundações.
No momento em que a Prefeitura gasta R$ 24 milhões em uma obra para evitar alagamentos na avenida Heráclito Graça, vereadores trabalham para criar outras áreas de enchentes. É uma contradição insanável. n
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