
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
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Se os ataques ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém tiveram uma resposta rápida, devido à sua importância econômica, não menos urgente é socorrer as populações vulneráveis, cujo direito de viver em paz foi sequestrado pelo crime organizado.
A atividade das facções apresenta-se hoje como o principal problema da segurança pública no Ceará, como de resto em boa parte das cidades brasileiras, mas essas organizações resolveram expandir ainda mais seus empreendimentos criminosos no Estado. Até bem pouco tempo, as facções tinham como foco o tráfico de drogas e as disputas violentas pelo controle de territórios, submetendo os moradores às leis do crime.
Recentemente, esses grupos resolveram expandir seus negócios criminosos, passando a atacar a estrutura de empresas de internet com o intuito de interromper os serviços. A partir daí, iniciavam achaques às empresas, exigindo pagamento para liberar os equipamentos de transmissão.
Desde fevereiro, pelo menos cinco fornecedoras de serviços de internet foram atacadas, com cortes de cabos, quebra de caixas de transmissão e incêndio de veículos. As empresas reagiram informando que suspenderiam os serviços, caso não houvesse segurança para o trabalho de seus técnicos. Umas delas encerrou suas atividades após ter a sede destruída em um ataque de facionados.
O governo do Estado viu-se pressionado, pois os ataques visavam principalmente o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde se concentram grandes indústrias produtoras de aço, energia e cimento, estratégicas para o desenvolvimento do Ceará.
As investigações foram realizadas rapidamente e, em menos de um mês, 40 suspeitos foram presos, segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez.
Segundo o governador Elmano de Freitas (PT) existem empresas de internet "envolvidas" com as facções, sendo preciso separá-las "muito bem" daquelas que são atacadas pelos criminosos, com o intuito de extorquir-lhes dinheiro. A Polícia já teria o nome das empresas associadas aos criminosos, mas o governador disse que será necessário aprofundar as investigações, antes da divulgação, para evitar injustiças.
É louvável a rapidez com que as autoridades estão agindo nesse caso. Mas é de se lembrar que o domínio das facções nas periferias é muito mais antigo do que essa nova forma de criminalidade, sem que os governos adotassem uma política eficaz para combater esse crime. Pode-se tomar como exemplo a quarta-feira passada, quando aconteceram sete homicídios no Ceará, em um único dia, todos devido à "guerra" entre as facções, ao que tudo indica.
Se os ataques ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém precisavam de uma resposta rápida, devido à sua importância econômica, não menos urgente é socorrer as populações vulneráveis, cujo direito de viver em paz foi sequestrado pelo crime organizado.
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