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Brasil reafirma multilateralismo
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Editorial opinião

Brasil reafirma multilateralismo

A iniciativa brasileira de estreitar laços de amizade e comerciais com países europeus representa um contraponto direto à política adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esteve em visita à França, concluída ontem, na qual tratou da transição energética e novas propostas para o G20 (grupo das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia e União Africana). Na ocasião, ele reafirmou o compromisso do Brasil com o multilateralismo, na contramão das ideias que movem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O ministro ainda defendeu a ratificação do acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia, afirmando que o tratado "oferece uma alternativa" em um "mundo bipolar", como registrou a plataforma de notícias francesa RFI. No entanto, o acordo com o Mercosul tem a oposição da França, e o texto precisa da ratificação dos parlamentos de ambos os países, portanto, continua longe de um desfecho.

Mas Fernando Haddad disse acreditar que no "médio e longo prazos" o Brasil e o bloco europeu aprenderão a "coordenar as ações econômicas" de maneira a resultar em benefícios para ambas as regiões, mas que um avanço a curto prazo teria muita relevância. "Seria um recado importante para o mundo de que nós vamos resistir a essa visão binária das coisas, e nós vamos encontrar caminhos múltiplos de desenvolvimento e de cooperação, pois não devemos fazer um alinhamento automático, como se o outro lado fosse simplesmente um inimigo a ser enfrentado", disse o ministro.

Nessa quadra dramática que atravessa o mundo, a cooperação entre as nações é crucial para enfrentar os grandes desafios que se apresentam para a humanidade. Entre eles, medidas urgentes para conter a crise climática, que atinge todos os países do globo. Além disso, são necessárias políticas urgentes para reduzir a desigualdade entre regiões e pessoas, situação que impede um desenvolvimento sustentável.

Nas diversas atividades das quais participou, o ministro falou sobre esses assuntos. Ele lembrou dos desafios impostos pelo aquecimento global e disse estar "empenhado" em tornar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) "bem-sucedida", evento que será realizado este ano em Belém (PA). Ele também destacou que a taxação dos super-ricos, uma proposta que une Brasil e França, é uma forma de fazer justiça tributária.

A viagem de Haddad é preparatória à visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à França, programada para o mês de junho deste ano. A iniciativa brasileira, de estreitar laços de amizade e comerciais com países europeus, representa um contraponto direto à política adotada por Trump, de "fechamento" dos Estados Unidos, por meio de aplicação de tarifas exorbitantes, ainda que a diplomacia brasileira evite fazer comentários nesse sentido. n

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