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Depois da eleição, fica a política
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Professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece)

Depois da eleição, fica a política

O eleitor permanecerá lá onde esteve, onde sempre está: longe "da" política. Não é seu cotidiano, não será convidado "pra essa festa pop que os homens armaram" para lhe convencer que estão apenas cuidando do "interesse público"
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Emanuel Freitas da Silva. Professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece). Presidente do Núcleo de Acompanhamento da Política de Cotas Raciais (NUAPCR). (Foto: opovo mais)
Foto: opovo mais Emanuel Freitas da Silva. Professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece). Presidente do Núcleo de Acompanhamento da Política de Cotas Raciais (NUAPCR).

Pré-campanha, filiação, convenções, partidos, campanha, alianças, padrinhos, HGPE, direito de resposta, cidadania, candidatos, debates, sabatinas, caminhadas, carreatas, primeiro turno, coligação, segundo turno, votos válidos, votos totais, apuração.

Nos últimos meses, esse era o conjunto de termos que povoavam o noticiário e o cotidiano de nossas vidas. No rádio, na TV e nas redes. Tudo girava em torno da definição dos próximos prefeitos e vereadores. Quem iria comandar os destinos de nossas cidades, os escassos ou vultuosos recursos?

Em Fortaleza, a resposta a essas questões demorou a vir (em termos políticos, não em termos cronológicos), numa disputa voto a voto, que acabou por ser dada, a resposta, por apenas 10 mil fortalezenses.

Passou a eleição, aquela que produz o "tempo da política" para muitos de nós. Depois dela, fica o "tempo de política", aquela exercida não em nome da representação, do bem público, mas em nome dos arranjos próprios aos homens e às mulheres que vivem "da" política, e que são muitos.

Saem de cena os cidadãos, os brasileiros, os eleitores, os fortalezenses; entram em cena as equipes de transição, os políticos, os profissionais, os interessados.

O "futuro da cidade" cede lugar às disputas pelas presidências das Câmaras Municipais e das Assembleias Legislativas, assim como das presidências do Congresso Nacional. Arranjos para as mesas diretoras e para as secretarias municipais dão o norte no dia a dia. Novas secretarias serão criadas, para garantir o presente do "cabo eleitoral", daquele que foi "importante". A política profissional volta para seu cotidiano.

Perdedores estarão nos jornais, nas tribunas e nas redes cantando em prosa e verso: "eu avisei!", "essa culpa eu não carrego!".

O eleitor permanecerá lá onde esteve, onde sempre está: longe "da" política. Não é seu cotidiano, não será convidado "pra essa festa pop que os homens armaram" para lhe convencer que estão apenas cuidando do "interesse público". Tudo será feito para o seu "bem", no interesse do "povo".

Daqui a alguns meses, uns dezoito talvez, novamente se ouvirá a utilização em massa daquele nome estranho pelo qual, a cada dois anos, o comum das pessoas é interpelado: "cidadão". Ver-se-á, novamente, emulado como o "centro das atenções", exigindo dele que exerça seu "papel". Tudo muito transitório. Até que venha novamente a outra eleição.

 

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