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Elmano se mexe e segurança faz bom movimento
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

Elmano se mexe e segurança faz bom movimento

O que interessa é se vai dar resultado. Isso vereamos à frente. Mas há diferença marcante
Tipo Opinião
SECRETARIO da Segurança Pública, Roberto Sá, no Debates do Povo (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE SECRETARIO da Segurança Pública, Roberto Sá, no Debates do Povo

O governador Elmano de Freitas (PT) tem mostrado iniciativa, inquietude e movimentação em relação à segurança pública. Nos últimos dois meses, há uma diferença marcante em relação ao período de um ano e cinco meses que vieram antes. O que interessa é se vai dar resultado, o que veremos. Espero que sim, pois a situação é muito ruim. Ao participar do Debates do Povo nesta quarta-feira, 31, o secretário Roberto Sá informou que será retomado o programa de metas para redução de crimes. É uma boa notícia, pois esse foi o pilar da estratégia que, entre 2013 e 2014, estancou o crescimento da criminalidade, e levou à redução em 2015 e 2016. Após alta em 2017 e 2018, houve redução em 2019. No começo de 2020, na negociação para o fim do motim na Polícia Militar, a gratificação por metas foi incorporada à remuneração e o programa de metas acabou. Veio a pandemia e as atenções se voltaram para a saúde, deixando a segurança abaixo na escala de prioridade.

É positivo por retornar algo que havia dado resultado. É uma pena que tenha ocorrido a interrupção. Ao mesmo tempo, aquela política apresentou limites. A medida é boa, mas não é suficiente e será necessário ir além.

Quem manda no território

O secretário falou sobre o controle territorial das facções e assegurou que, diferentemente do Rio de Janeiro, não existe nenhum lugar onde no Estado onde a Polícia não entra. Ele foi secretário no Rio, onde há barricadas e locais aonde os policiais não vão, de fato. No Ceará, é verdade, não há tais locais. Mas, não chega a ser um grande alento. Porque as facções dominam territórios. Os policiais entram, mas uma hora saem. As facções ficam, e são elas que mais influenciam a vida da população, não as forças de segurança. No pior momento da segurança do Ceará, quando André Costa era secretário do governo Camilo Santana (PT), ele também se gabava de que a Polícia entrava em qualquer lugar. O problema é que as facções não precisam impedir a Polícia de entrar para mandar na vida das pessoas e decidir a quais serviços públicos elas têm acesso e até quem pode ou não morar é uma área.

Lula se desgasta

O governo Jair Bolsonaro (PL) foi na contramão da respeitada tradição diplomática brasileira. Alinhou-se a nações obscuras na defesa de agenda medievalesca e ficou na contramão da história em questões ambientais e de direitos humanos. A eleição de Lula foi saudada internacionalmente, celebrada nos fóruns multilaterais, algo que o antecessor confessadamente rejeitava. Mais que em qualquer área, não parecia difícil para Lula dar um salto de qualidade.

Existe o eleitor lulista, que o defende em qualquer situação e busca argumentos para justificar a posição petista, mais que a do governo, sobre a Venezuela. E há o eleitor contra Lula, que criticará de qualquer jeito. Ataca a aproximação dele com Maduro, mas dá razão a Maduro quando ele questiona o processo eleitoral brasileiro. Quem decide eleição não é nem um nem outro. É quem está entre as duas partes e pode oscilar. As posições do governo causam mais prejuízo com esse segmento que as de Bolsonaro provocaram ao ex-presidente.

Voto impresso e auditável

A Venezuela permite constatar a bravata da oposição brasileira de que é necessário “voto impresso auditável” para garantir a segurança da eleição. O modelo venezuelano é muito parecido com o que Bolsonaro defende no Brasil. Lá, o eleitor vota de forma eletrônica, o voto é impresso em papel, o eleitor confere e depois o voto é depositado. Há uma amostragem de urnas nas quais é feita a conferência se o voto impresso bate com o digital. Muito seguro, né? Vê-se que não é garantia de segurança e confiabilidade.

Há pessoas que pensam que apenas um voto físico, que se possa pegar e tocar, é seguro e auditável. Nem precisa conhecer muito de tecnologia para saber como sistemas podem ser construídos de forma segura, com marcas auditáveis muito mais difíceis de ser apagadas que um pedaço de papel, no qual se pode dar fim.

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