Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
O protagonismo estadual de Caucaia é crescente, o que se percebe no fato de políticos que não são originalmente do Município lá buscarem espaço político
Foto: Fco Fontenele/ O POVO
EMÍLIA, Aginaldo e Catanho foram os candidatos que compareceram ao debate
Caucaia é um dos municípios definidores do Ceará do ponto de vista sociodemográfico, econômico, turístico e político. É o maior município depois de Fortaleza, em população. Um dos mais complexos. A maior economia depois de Fortaleza e Maracanaú. Uma força em atratividade turística e um desafio ambiental. Assim como do ponto de vista da segurança pública, da moradia, do saneamento. Pelo contingente populacional, a posição estratégica do ponto de vista geográfico e econômico, tem importância política crucial. Uma mostra é o fato de políticos que não são originalmente de Caucaia buscarem lá o espaço eleitoral, não de hoje. O protagonismo estadual, já significativo de longa data, é crescente. As imigrações se explicam também pelo desgaste de políticos locais. Até hoje, só um prefeito conseguiu se eleger, e saiu bastante desgastado — Washington Góis.
O debate desta quarta-feira, 28, entre candidatos à Prefeitura de Caucaia, promovido pelo O POVO em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), teve vários embates marcados pela questão das alianças. No começo, tudo muito cordial. Waldemir Catanho (PT) e Emília Pessoa (PSDB) estavam sintonizados ao criticar a ausência do ex-prefeito Naumi Amorim (PSD), que decidiu não comparecer. Quando Emília perguntou a Coronel Aginaldo (PL) sobre o comércio ambulante, o candidato do PL elogiou a pergunta. Para quem assistiu ao debate do O POVO sobre Fortaleza, na véspera, aquele parecia no começo o recinto da concórdia.
Mas, na sequência, ao questionar o candidato petista, Aginaldo deu outro tom ao embate. Falou que o PT apoia uso de drogas, aborto e invasão de terras. E ressaltou o apoio do prefeito Vitor Valim (PSB) a Catanho. Em várias, intervenções, Aginaldo bateu nesse ponto. Pesquisa AtlasIntel divulgada na semana passada mostrou que Valim tem imagem um tanto desgastada.
Catanho retrucou que tem o apoio também do presidente Lula, do governador Elmano de Freitas, do ministro Camilo Santana e da deputada Luizianne Lins. Em dado momento, salientou o apoio de Jair Bolsonaro (PL) a Aginaldo. A imagem do ex-presidente tampouco é lá essas coisas.
A cordialidade entre Emília e Aginaldo acabou quando ela disse que ele estava “cheio de padrinhos” e indagou se quem governaria seria ele ou os apoiadores. O candidato do PL disse não ter nenhum padrinho em Caucaia e ressaltou concorrer com chapa pura. Ironizando a tucana, afirmou que não precisou se aliar a políticos, ex-prefeito e vereadores — Emília recebeu apoio do União Brasil do vice-prefeito Deuzinho Filho e do PDT do ex-prefeito Zé Gerardo Arruda, ambos que eram pré-candidatos.
Aginaldo prosseguiu: “A senhora, candidata, infelizmente estava numa ascendente muito grande na sua campanha e a senhora foi se aliar a tudo que não presta da política de Caucaia”. E completou: “Infelizmente, e pra nossa felicidade também, porque assim a senhora foi com a sua candidatura por água abaixo”.
Soma e subtração
Não me recordo de candidatura competitiva alguma que recusou apoio. Mas, aliança tanto soma em algumas coisas quanto pode desgastar por outros. Curioso ver o quanto os adversários creem que os apoios de Valim a Catanho, Bolsonaro a Aginaldo e de Deuzinho e Zé Gerardo a Emília mais tira do que agrega, ao menos do ponto de vista público.
A vez de Eusébio
Hoje será a vez de Eusébio, com debate organizado pelo O POVO e transmitido a partir das 19 horas. Dr. Júnior (PRD), que já foi prefeito, tenta se eleger com apoio do prefeito Acilon Gonçalves (PL), político mais influente nas prefeituras da banda leste da Região Metropolitana de Fortaleza. Dr. Mauro (União Brasil) representa a oposição. É um município de história recente, emancipado em 1987, cuja importância econômica é muito maior que a proporção da população que representa. E que tem relação muito próxima com a Capital, tanto por quem é natural do Município e se desloca para Fortaleza por estudo ou trabalho, quanto por quem faz o caminho inverso, e ainda fortalezenses que decidiram morar em Eusébio.
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