
Jornalista, divulgador científico e professor da Universidade Federal de Rondonópolis. É doutor em ecologia pela Universidade Autônoma de Madrid, Espanha
Jornalista, divulgador científico e professor da Universidade Federal de Rondonópolis. É doutor em ecologia pela Universidade Autônoma de Madrid, Espanha
O Brasil possui mais de 46 mil espécies de plantas, algas e fungos. Nenhum outro país do mundo possui mais espécies de plantas: cerca de 10% da flora mundial ocorre naquele país da América Latina. Igualmente superlativo é o caráter único da flora brasileira: 57% das espécies de plantas com flores encontradas no Brasil são endêmicas, isto é, não ocorrem em nenhum outro lugar. Paradoxalmente, a arborização das cidades brasileiras é como uma boca desdentada. Além da falta de árvores, a arborização urbana no Brasil costuma ser pobre em espécies. Essa é certamente a realidade da maioria das cidades tropicais.
A pífia arborização das cidades tropicais tem muitas causas. Estudos aplicados sobre a ecologia daquelas cidades são escassos. Pouco sabemos, por exemplo, sobre quais espécies arbóreas da flora brasileira e de outros países tropicais se adaptariam a algumas características dos ecossistemas urbanos, como ilhas de calor, fertilidade do solo e poluição atmosférica. Ademais, nosso conhecimento sobre como os fatores sociais, económicos, ambientais e culturais influenciam a flora urbana continua a ser bastante limitado; e este é um obstáculo significativo nos processos de planejamento e gestão florestal urbana nas cidades tropicais.
A escassez de conhecimentos sobre ecologia urbana tem consequências. A mais grave delas: a pouca capacidade técnica dos governos municipais para a formulação de políticas ambientais, principalmente em cidades tropicais de pequeno e médio porte. Políticas ambientais para a conservação da biodiversidade tropical urbana, com um robusto suporte científico, precisam ser desenvolvidas e implementadas, imediatamente.
Uma pesquisa (ainda não publicada) desenvolvida por cientistas brasileiros mapeou centenas de espécies de animais e plantas que ocorrem em milhares de cidades do Brasil. Aquele mapeamento, e as informações e conhecimentos reunidas nesse livro nos contam histórias de cidades fervilhantes de vida.
Nos últimos anos, a expressão “re-naturing cities” tornou-se popular entre cientistas, e há milhares de papers sobre aquele tema. Mas a expressão é enganosa, porque as cidades são natureza. O filósofo britânico John N. Gray resumiu com maestria o lugar das cidades na biosfera, ao defini-las como “não mais artificiais do que colmeias de abelhas.” Precisamos preparar as cidades para eventos climáticos extremos.
Precisamos de mais cobertura arbórea nas cidades. Precisamos cultivar alimentos nos muitos espaços urbanos disponíveis. Precisamos planejar a flora urbana para o suporte à fauna silvestre. Precisamos democratizar as árvores, e tornar as cidades tropicais melhores para a vida silvestre e para as pessoas.
O livro “Ecology of Tropical Cities – Biodiversity, People and Places”, que será publicado em outubro, é um instrumento poderoso para a conservação da flora e fauna e dos seus serviços ecossistêmicos, nos sistemas ecológicos urbanos tropicais. Seus 24 capítulos condensam um panorama de pesquisas sobre a fauna e flora de cidades da América Latina, África e Ásia. Os objetivos mais relevantes do livro são inspirar novas pesquisas, e auxiliar gestores urbanos e decision-makers no design de projetos e políticas exitosas para a conservação da diversidade biológica das cidades tropicais.
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