
É doutora em Educação pela UFC. Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro
É doutora em Educação pela UFC. Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro
.
As últimas eleições testemunharam o papel decisivo que as mulheres têm no resultado das urnas. A mensagem é explicita ao informar que falas e condutas misóginas não serão, como em outrora, tratadas com condescendência e tolerância. Aí reside o fundamento que explica o distanciamento de alguns candidatos com figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro que, em uma eleição acirrada, ainda candidato, viu despontar nas ruas e no meio virtual o movimento “ele não” que veio a tornar-se o maior movimento realizado por mulheres no Brasil.
As manifestações iniciadas pelo Facebook por meio do grupo “mulheres unidas contra Bolsonaro” foram motivadas pelas declarações misóginas, homofóbicas e racistas do ex-presidente. Os protestos do “ele não” ultrapassaram as fronteiras e ressoaram em parte da Europa e dos Estados Unidos. Passados mais de cinco anos, as mulheres de muitas capitais brasileiras, entre elas Fortaleza - CE, voltaram às ruas para protestar contra projetos de poder que se traduzem em retrocessos aos direitos das mulheres. Na eleição municipal findada recentemente, o apoio das mulheres foi pleiteado por todos os candidatos de todos os espectros políticos.
Nessas ocasiões, é comum adversários garimparem vídeos, fotos e reportagens de seus oponentes no afã de destroná-los. O candidato André Fernandes (PL) viu-se confrontado com um vídeo gravado por ele no passado, no qual demonstra indiferença, insensibilidade e pitadas de escárnio para com um grave problema social que é o feminicídio. O conteúdo do vídeo é a antípoda dos marcos civilizatórios, dos direitos humanos e da defesa da dignidade humana.
Ainda houve quem apelasse para a pouca idade do candidato à época, outros defenderam que se tratava de uma brincadeira. Esses posicionamentos são uma afronta à razão humana e um modo enviesado de se perceber a tolerância. Ao vídeo, uniu-se o fato de o candidato não ter votado a favor da igualdade salarial entre homens e mulheres, pesou também suas falas contra a jornalista Patrícia Campos Mello que, não por coincidência, também moveu ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outra contra seu filho Eduardo Bolsonaro, todas essas ações movidas pela jornalista foram motivadas por falas sexistas.
O processo eleitoral demonstrou que um forte oponente que André Fernandes tem pela frente é ele mesmo, suas falas, suas ações e seus comportamentos passados que teimam em ressurgir no presente.
Ôpa! Tenho mais informações pra você. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.