É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos "Alma Feminina"
O final do ano propicia intensos e profundos momentos de reflexão, um verdadeiro parêntese na agitação cotidiana. No movimento de voltar-se para dentro, duas perguntas, invariavelmente, despontam: onde estamos? Para onde queremos ir?
É tempo de revisitar o passado, pensar no presente e nas reformas e adaptações necessárias para o futuro, abrir nossas caixas de lembranças e gavetas onde guardamos nossos sonhos e metas que foram abandonados pelo caminho. A essas reflexões íntimas, seguem-se avaliações e questionamentos mais amplos.
Na seara política, ciclos se renovam ou são encerrados, programas e políticas são avaliados e somos obrigados a fazer um balanço entre os fluxos, avanços e retrocessos.
No que corresponde à defesa e promoção dos direitos das mulheres, somos confrontados a realizar uma análise comparativa com o nosso passado longínquo e passado recente, precisamos pensar como os avanços obtidos pelas mulheres no plano interno se distribuiu em termos de raça e classe.
Por fim, as análises comparativas precisam atravessar as fronteiras internas para que possamos enxergar a situação das mulheres brasileiras em relação a outros países. Nesse âmbito, os diferentes rankings e indicadores internacionais demonstram o longo percurso que o Brasil tem pela frente para materializar a igualdade de gênero.
No ano que findou, obtivemos alguns avanços legais na luta pelos direitos das mulheres, notadamente no que tange à prevenção e erradicação da violência contra a mulher - a Lei nº 14.986/2024 inclui a obrigatoriedade da inclusão de abordagens e perspectivas femininas nos conteúdos curriculares.
A Lei nº 14.857/2024 altera a Lei Maria da Penha para determinar o sigilo da vítima nos processos que apuram crimes de violência doméstica. A Lei nº 14.887/2024, por sua vez, determina o atendimento prioritário de mulheres vítimas de violência nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outras mudanças foram efetivas na legislação durante o ano de 2024, entretanto, há uma distância entre o texto da lei e o contexto permeado de desigualdades e luta de interesses conflitantes.
O avanço legal reclama a implementação de políticas públicas que, por sua vez, demandam planejamento e financiamento. As políticas voltadas para as mulheres devem ser transformadas em políticas de Estado, não podemos mais tolerar que avanços obtidos em um governo sejam desmontados por outro. É mister pensar soluções conjuntas, fiscalizar e denunciar desmontes e retrocessos.
O Brasil precisa urgentemente sair da vergonhosa posição que atualmente estampa no ranking mundial da violência contra a mulher. O que eu desejo a todas as meninas e mulheres em 2025 é uma sociedade menos machista, misógina e violenta. Desejo, igualmente, que os homens sejam solidários e corresponsáveis na construção de uma sociedade pautada na igualdade e equidade de gênero.
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