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As lições da Glória Eterna
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Líder classista, empresário do setor de farmácias, é diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde 2018

As lições da Glória Eterna

Todo mundo tem um avô, um pai, um tio que vive rememorando as façanhas e glórias do passado, quando, no clube carioca, ainda jogavam astros como Nilton Santos, Didi e Garrincha
Botafogo venceu o Atlético-MG por 3 a 1 e conquistou a Libertadores 2024 (Foto: ALEJANDRO PAGNI / AFP)
Foto: ALEJANDRO PAGNI / AFP Botafogo venceu o Atlético-MG por 3 a 1 e conquistou a Libertadores 2024

Se você, ainda que disfarçando, ainda que encobrindo, ainda que não se assumindo (porque não é alvinegro), chegou a brilhar o olho com o título do Botafogo na Libertadores 2024, pode relaxar: você não estava sozinho nisso. Eu também torci. Eu também vibrei. Eu também curti. O Botafogo é como o Ferroviário: todo mundo tem simpatia, ainda que não ame.

Essa aura de charme do Estrela Solitária talvez já nasça conosco em nossos DNA´s. É que todo mundo tem um avô, um pai, um tio que vive rememorando as façanhas e glórias do passado, quando, no clube carioca, ainda jogavam astros como Nilton Santos, Didi e Garrincha.

Mas foquemos nas epopeias mais recentes. Elas trazem muitas lições. A primeira delas: com recursos - e uma gestão que os aplique com estratégia e razoabilidade – você pode até não ser sempre o melhor, mas estará entre os mais competitivos. E isso vale para empresas, para times, para atletas, para pessoas. Após a chegada do milionário John Textor, que hoje gerencia a equipe, o Botafogo passou a integrar a tropa de elite do futebol brasileiro.

A gestão à beira do campo também foi determinante. Principalmente, na conquista da Libertadores. Ao perder um jogador, expulso no primeiro minuto de jogo, o técnico português Artur Jorge ousou, arriscou, não se contentou com a velha fórmula de tirar um atacante para recompor a defesa, e viu seu time sufocar o adversário como se não tivesse em menor número.

Mas a melhor das lições vem do atacante Luiz Henrique, que, na decisão, fez o primeiro gol, sofreu o pênalti do segundo e foi escolhido o craque da competição continental. Um dia, numa peneira de futsal, ele saiu da periferia de Petrópolis e apareceu na quadra. Tímido, franzino, caneludo, a meleca descendo do nariz, descalço, despretensioso. Uma bola veio na direção dele. Surgiu uma vontade fixante de chutá-la. Luiz não se conteve. Acertou um canudo, do meio da quadra, tão certeiro que impressionou o treinador que organizava os testes. Pronto: foi sua credencial para, dali a pouco tempo, ser selecionando para as categorias de base do Fluminense, depois para a Europa, depois para a glória eterna do último sábado.

Aquela bola sobrada, aquela vontade despertada, aquele chute na veia na quadrinha de Petrópolis talvez seja o que a gente naturalmente chame de destino.

E, ao flerte do destino, ora a gente atende, ora a gente ignora.

E, muitas vezes, o que a vida pede da gente é apenas um chute.

Um simples chute, um reles chute, um despretensioso chute.

Mas, sem o qual, a gente não acerta, não erra e nem nada.

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