O pensamento crítico é um diferencial para aqueles que desejam se destacar intelectual e profissionalmente. No Direito, na ciência, na política, saber argumentar é essencial. No entanto, o ensino da argumentação foi gradativamente substituído pela simples memorização de conteúdos, empobrecendo o pensamento crítico. Com o avanço da inteligência artificial generativa, essa lacuna se torna mais preocupante: se delegamos o pensamento às máquinas sem um critério rigoroso de avaliação, corremos o risco de perder a autonomia intelectual.
Na Antiguidade e no Renascimento, a formação dos grandes pensadores era baseada no Trivium, um conjunto de três disciplinas fundamentais: gramática, lógica e retórica. A gramática ensinava a estrutura da linguagem e a precisão na comunicação; a lógica desenvolvia a capacidade de raciocínio e argumentação válida; e a retórica treinava a persuasão e a construção de discursos convincentes.
Com o passar do tempo, o ensino da argumentação foi se enfraquecendo. A escola moderna passou a priorizar a absorção de informações, e não a reflexão sobre elas. No Direito, por exemplo, muitos estudantes aprendem normas e precedentes sem questionar seus fundamentos ou consequências. O resultado é um pensamento jurídico automatizado, incapaz de lidar com situações inéditas ou construir interpretações inovadoras.
Agora, com a ascensão da inteligência artificial, essa deficiência se torna ainda mais visível. Modelos de linguagem geram textos sofisticados em segundos, mas sem qualquer entendimento real do que dizem. Se não soubermos avaliar argumentos, distinguir falácias e estruturar nossas próprias ideias, nos tornaremos reféns de respostas prontas, sem a capacidade de discernir o que realmente faz sentido.
Reaprender a pensar significa resgatar a lógica, a gramática e a argumentação como ferramentas essenciais. Saber estruturar um pensamento, identificar erros de raciocínio e construir argumentos sólidos é um diferencial para qualquer profissional, especialmente na era digital. A tecnologia evolui, mas o pensamento humano continua sendo insubstituível.