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"Cordão sanitário" mantém extremistas longe do poder na Alemanha
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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

"Cordão sanitário" mantém extremistas longe do poder na Alemanha

No Brasil também deveria existir um mecanismo desse tipo para manter a extrema direita afastada do governo. Mas é difícil, pois os partidos brasileiros de "centro" não se envergonham de servir de escada para a extrema direita
Eleições na Alemanha: Friedrich Merz deve ser novo chanceler (Foto: AAP Photo / Markus Schreiber)
Foto: AAP Photo / Markus Schreiber Eleições na Alemanha: Friedrich Merz deve ser novo chanceler

A grande votação obtida pelo partido de ultradireita nas eleições alemãs é um forte alerta para o crescimento da extrema direita no mundo, reforçada depois que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos.

A extremista Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 20,8% dos votos, o resultado mais expressivo desde a sua fundação, em 2013. O partido foi apoiado por Elon Musk, que escreveu um artigo elogioso aos parceiros e participou, por videoconferência, da campanha eleitoral da AfD.

Para entender melhor o que é a AfD, o partido está sob vigilância do Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), por suspeita de extremismo e risco à ordem democrática. A AfD tenta suspender a vigilância, mas o pedido foi negado, pois os magistrados viram “evidências suficientes de que a AfD persegue objetivos que contrariam a dignidade humana de alguns grupos e a democracia”.

Apesar do avanço dos ultradireitistas, a maior quantidade de votos ficou com coalização de centro-direita e conservadores (CDU/CSU), com 28,6% dos votos. A social-democracia, liderada por Olaf Scholz, atual chanceler, obteve 16,4% dos votos, ficando em terceiro lugar. Depois vieram os Verdes (11,6%) e a esquerda (8,8%).

Os alemães participaram maciçamente, com 83% dos eleitores comparecendo às urnas, a mais alta presença em 35 anos.

Mesmo com a vitória eleitoral, a aliança CDU/CSU não tem votos suficientes para formar, sozinha, o novo governo, que deverá ser liderado por Friedrich Merz.

No entanto, Merz reafirmou, logo após o resultado eleitoral, que não se aliaria à AfD para formar o novo governo, que terá de enfrentar desafios complexos na área econômica e na geopolítica, especialmente a guerra na Ucrânia.

Merz, provavelmente vai esticar o “cordão sanitário”, um acordo entre partidos democráticos, de direita ou de esquerda, que rejeitam qualquer tipo de acordo com legendas extremistas, para evitar que cheguem ao poder.

No Brasil também deveria existir um “cordão sanitário” para manter a extrema direita afastada do governo. Difícil, diga-se, pois os partidos brasileiros de “centro” não se envergonham de servir de escada para a extrema direita.

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