Logo O POVO+
Ato minguante dificulta anistia a golpistas
Foto de Plínio Bortolotti
clique para exibir bio do colunista

Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Ato minguante dificulta anistia a golpistas

Nada indica que a situação legal de Jair Bolsonaro possa melhorar. Vai piorar, quando o STF aceitar a denúncia contra ele por golpe de Estado, o que inevitavelmente vai acontecer. Com várias condenações nas costas, ele pode tornar-se radioativo

 O POVO informa que o ato organizado por bolsonaristas no Rio de Janeiro, pela manhã, reuniu 18,3 mil pessoas, menos de 2% do público esperado pelos organizadores, de um milhão de pessoas.

Os dados são do Monitor do Debate Político, do Cebrap, que também fez contagem do ato bolsonarista de 7 de setembro de 2022. Na ocasião, o Monitor calculou a presença de 64,6 mil manifestantes; o ato de hoje, portanto, é 71,7% menor comparado com o anterior.

A manifestação teve como palavra de ordem principal a anistia aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aos que estão na fila para julgamento, por participarem de uma tentativa de golpe de Estado.

Ontem foi divulgado o fiasco do ato bolsonarista em Nova York (Estados Unidos), que reuniu apenas 20 pessoas. Portanto, não foi necessária nenhuma instituição científica para contar os participantes, bastava somar os dedos das mãos e dos pés.

Dê-se o desconto de que é difícil fazer atos desse tipo nos Estados Unidos, com presença maciça, mas somente duas dezenas de pessoas atenderam o chamado do mito?

Talvez ajude a explicar a baixa adesão, o medo que sentem todos os latinos, incluindo bolsonaristas, que a polícia de Donald Trump os prenda e os deporte. Contraditoriamente (ou não), esses caras amam o próprio carrasco, parecendo sofrer da síndrome de Estocolmo.

Mas por que, inegavelmente, está minguando o público devoto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que se dispõe a ir às ruas?

Ele próprio acusou o golpe, ao se queixar: “A gente arrastava multidões pelo Brasil. Foi aqui, no 7 de setembro, tinha mais gente que agora”. Os números acima confirmam a fala de Bolsonaro, portanto, o público minguante não é “fake news” da esquerda.

O insucesso de hoje deixa mais longe a possibilidade de Bolsonaro formar uma “frente” para aprovar a anistia para os golpistas no Congresso Nacional. Nenhum líder partidário estava no ato, à exceção de Valdemar Costa Neto (PL), do partido de Bolsonaro.

Além da perda de prestígio popular, por vários motivos, Bolsonaro enfrenta outro problema. Como está inelegível, existe uma corrida na direita (e na extrema) pelo espólio bolsonarista, inclusive entre aqueles que fazem juras ao ex-presidente, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Com várias condenações nas costas, ele pode tornar-se radioativo.

E nada indica que a situação legal do ex-presidente possa melhorar. Pelo contrário, vai piorar, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar a denúncia contra ele por golpe de Estado. O que inevitavelmente vai acontecer. Com várias condenações nas costas, ele pode tornar-se radioativo

A trilha de Bolsonaro estreita-se cada vez mais, e a possibilidade de alargá-la é cada vez mais distante, por mais que dele use o boné “Make America Great Again” (faça a América grande novamente), seu país do coração.

Foto do Plínio Bortolotti

Fatos e personagens. Desconstruindo a política. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.

O que você achou desse conteúdo?