
Rachel Gomes é jornalista, mãe da Serena e da Martina e produz podcasts de maternidade há cinco anos. Em 2022, deu início ao MamyCast, primeiro podcast de maternidade do Ceará, onde aborda pautas informativas sobre maternidade, gestação e infância
Rachel Gomes é jornalista, mãe da Serena e da Martina e produz podcasts de maternidade há cinco anos. Em 2022, deu início ao MamyCast, primeiro podcast de maternidade do Ceará, onde aborda pautas informativas sobre maternidade, gestação e infância
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Passando pelo corredor, vi a porta da vizinha entreaberta. Deu pra ver pela fresta o cenário que falava por si: muitos utensílios que revelavam a presença de um bebê recém-nascido em casa. Eu bem sabia, ah como sabia. Toalhinhas cheirosinhas deixadas em cima do sofá, a banheira recém usada, lenços umedecidos e pomadas pra assadura pela casa. Não havia ninguém na sala, mas, ao fundo, dava pra ouvir um chorinho agudo e frágil, digno de quem havia acabado de dar o ar da graça por aqui.
Aquela cena me transportou automaticamente para o meu primeiro puerpério. Eu podia sentir o que aquele mãe sentia. Parece que eu havia previsto que ela estava sozinha em casa com aquele bebê. Não resisti e toquei a campainha com o cuidado de saber que o toque não era estridente, caso aquele bebê tivesse acabado de dormir (para a felicidade daquela mãe). O som da campainha era um som instrumental leve e harmônico, agradável aos ouvidos.
Menos de um minuto depois, a mãe recém-nascida apareceu. Camisola, cabelos presos em coque e olheiras. O figurino esperado. Ela carregava a linda bebê no colo. Pelo que vi, parecia ter no máximo 15 dias de vida. Meu olhar e expressão era de quem queria dar um abraço e dizer: “eu te entendo. Vai ficar tudo bem”. Eu então me desculpei pela repentina aparição e expliquei o motivo de estar ali: “se precisar, só me chamar aqui ao lado. Posso te ajudar, ou ficar com ela pra você tomar um banho ou comer. Eu fico em casa pela manhã, só saio à tarde. Terei o maior prazer”. Disse isso ao lado da Serena, que observava atenta o diálogo.
Ela parecia estar aflita. E não era só aparência. Quando começou a falar, revelou rapidamente: ela chora tanto… parece que estamos batendo, mas eu não sei o que pode ser, já tentamos de tudo”. Eu então percebi que ela estava se desculpando pelo choro da bebê e fiz questão de esclarecer: “olha, eu nem ouço ela chorar. Nem lembrava que você tinha parido. Fica tranquila”. Ela então respirou aliviada. Parecia ter tirado um peso das costas. Agradeceu com um olhar fraterno de quem realmente precisava ouvir aquilo.
Eu me despedi e disse: “eu sei o que você está passando. Já passei duas vezes, sei que é difícil, mas te garanto que vai passar”. Ela agradeceu, olhou pra Serena e disse: “tomara que cresça logo e fique desse tamanho”. Eu sorri e pensei comigo: esse é o principal sentimento de quem está passando por uma sobrecarga no puerpério. Querer que o bebê cresça e a fase mais difícil passe logo. É absolutamente normal. Não se sinta uma mãe pior por pensar assim. Te garanto que vai crescer e vai ser rápido. Eu saí andando de lá pensando: “espero que ela me peça ajuda”.
O que torna um primeiro puerpério difícil são fatores como privação de sono, situações inéditas que nunca foram vivenciadas (naturalmente), medo de errar, solidão materna, baby blues, conflitos familiares, entre outros. A romantização da maternidade também colabora para que haja uma comparação injusta e desleal e faça você se sentir despreparada ou inadequada. Por isso, peça ajuda. Seja do psicólogo, da sua mãe, ou da amiga. Peça ajuda ao marido, ao conteúdo do podcast, ao artigo ou livro. Se informe, se fortaleça.
A maternidade revela potências, fraquezas e dores de uma maneira absolutamente surreal. Se apegue com força aos seus. Tenha momentos de respiro em meio ao caos. E, mais uma vez, tente delegar e pedir ajuda.
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