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Polícia Civil aponta que homens presos em Itarema planejavam matança para tomar território de facção rival
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Polícia Civil aponta que homens presos em Itarema planejavam matança para tomar território de facção rival

Alvos da operação estavam escondidos em uma residência da zona rural. Polícia afirma que eles planejavam ataques a membros de facção rival
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Armas, munições, celulares e motos foram apreendidos na operação que resultou também em nove prisões em Itarema (Foto: SSPDS)
Foto: SSPDS Armas, munições, celulares e motos foram apreendidos na operação que resultou também em nove prisões em Itarema

O grupo de criminosos capturado no município de Itarema,  na Região Norte do Ceará, a 211 km de Fortaleza, na quinta-feira passada, 25, planejava homicídios na Cidade, conforme a Polícia Civil do Ceará (PC-CE). Sete homens foram presos e dois adolescentes apreendidos em flagrante com oito armas de fogo e 248 munições. O objetivo do grupo, de acordo com a PCCE, era tomar territórios para liderar o tráfico de drogas no município.

A ofensiva teria sido orquestrada após a prisão da liderança da facção rival, Brena Kesia dos Santos Albino, de 31 anos, capturada na terça-feira, 23. A mulher seria líder da facção cearense Guardiões do Estado (GDE) na Cidade.

Conforme o boletim de ocorrência obtido pelo O POVO, os alvos foram encontrados a partir do trabalho da inteligência do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI Norte) e de informações repassadas por Brena.

Os nove capturados seriam da facção Comando Vermelho (CV). Entre os adultos estão Rener Patrick Ferreira, 23, José Anderson da Silva Delfino, 25, Manoel Eguinaldo Santos Nascimento, 26, Francisco Matheus Venancio de Lima, 21, Francisco Robson Dias, 24, José Edinatan dos Santos Barro, 26, e Francisco Aucelio dos Santos Lima, 23.  Após audiência de custódia, as prisões em flagrante foram convertidas em preventivas nessa sexta-feira, 26.

O delegado Marcos Aurélio Elias explica que a Polícia já esperava alguma movimentação da facção carioca após a prisão da líder rival. Os membros do grupo chegaram a comemorar a prisão da mulher. “Com o enfraquecimento de uma organização criminosa, há uma tendência do fortalecimento da concorrente”, disse em entrevista coletiva nessa sexta-feira, 26.

Segundo Marcos, a inteligência policial identificou que a facção enviou “soldados” de outros locais para reforçar a operação em Itarema e tomar territórios. “Tínhamos informação que iriam atacar o Centro da Cidade, só que foram impedidos”, afirmou.

No momento da prisão, policiais fizeram um cerco na casa onde os criminosos estavam escondidos para diminuir o risco de fugas e confrontos. Oito pessoas foram capturadas e duas conseguiram fugir. No entanto, um dos fugitivos também foi preso pouco depois com 80 munições. A Polícia segue na busca do outro.

Foram apreendidas com o grupo duas armas longas, três pistolas e três revólveres, além de mais de 200 munições com calibres 38, 9mm, .40 e 12. Quatro motocicletas foram encontradas na propriedade, sendo duas roubadas e duas adulteradas. Também foram apreendidos 11g de cocaína, balanças de precisão e objetos para embalar entorpecentes.

Itarema é território estratégico para tráfico de drogas

De acordo com o delegado, Itarema é considerada estratégica para o comércio ilegal de drogas por ser uma cidade costeira, facilitando a movimentação dos entorpecentes. Há anos os dois grupos criminosos brigam pela dominação do território, aumentando o número de homicídios no município.

Em 2023, 22 homicídios foram registrados em Itarema até novembro, o que representou um aumento de 46,6% ao ser comparado a quantidade de 2022, quando o município teve 15 assassinatos no mesmo período. A cidade chegou a registrar uma chacina em novembro de 2023 que deixou quatro mortos, incluindo uma adolescente de 13 anos.

“Itarema é sazonal. Quando a gente consegue prender a liderança e os executores, pacifica. Depois eles se fortalecem, mandam novo efetivo de bandidos”, explica Marcos. O delegado afirma que a Polícia deve continuar mirando em lideranças e na retirada de armamentos de circulação do local.

Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva
Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva

Operação prende dez pessoas suspeitas de homicídios no Jangurussu

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE) prendeu dez pessoas suspeitas de crimes de tráfico de drogas, homicídios e tentativas de homicídios no Grande Jangurussu, em Fortaleza, na quinta-feira passada, 25. Os suspeitos integram uma facção criminosa na Capital e começaram a ser investigados após o homicídio de Marcelo Henrique Batista Silva, 18, em janeiro do ano passado.

Dos dez presos, cinco estavam cumprindo pena em unidades prisionais no Estado, sendo um deles, um homem de 32 anos, apontado como chefe do grupo criminoso e mandante das ações na região do Jangurussu. Os outros quatro homens reclusos possuem 25, 26, 29 e 36 anos. Não foi informado como os demais atuavam no grupo mesmo presos.

Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva por integrar organização criminosa. O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Leandro Matos, informou que, durante os mandados de buscas, foram realizadas algumas prisões em flagrantes, sendo um deles de um homem, de 48 anos, apontado como armeiro do grupo.

“Ele fazia todo o suporte logístico para esse coletivo criminoso”, disse Leandro em coletiva de imprensa da Polícia Civil nesta sexta-feira, 26. Na ocasião, o delegado geral da PC-CE, Márcio Gutiérrez, informou que o armeiro era responsável por adulterar todo material bélico de armas de fogo, armações e acessórios. “Com ele, foram apreendidas cinco armas de fogo, carregadores, munições”, afirma.

Com o homem, foram apreendidos cinco armas, sendo duas pistolas.40, uma pistola.22, uma pistola 380 e uma pistola 9 milímetros. Além disso, quatro carregadores, um tambor de revólver, uma armação para pistola, diversos pinos para munição, um supressor de arma, uma esmerilhadeira, um simulacro de pistola, dezenas de munições de diversos calibres e dois celulares foram apreendidos.

Na operação, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de comércio ilegal de arma de fogo e integrar organização criminosa. Ainda durante os mandados de busca e apreensão, mais três homens foram presos em flagrante, sendo um homem de 36 anos preso em um imóvel no bairro Conjunto Palmeiras, bairro vizinho ao Jangurussu.

No momento da prisão, ele resistiu ao cumprimento do mandado e foi autuado na delegacia pelos crimes de resistência, desacato e por integrar organização criminosa. Também no Grande Jangurussu, dessa vez no bairro Sítio São João, um homem de 32 anos foi preso. Ele estava em porte de um celular roubado, sendo preso pelos crimes de receptação e integrar organização criminosa.

Na relação dos presos em flagrante, o último foi um homem, de 26 anos. Ele foi autuado pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e por integrar organização criminosa. A operação foi coordenada pela 3ª delegacia do DHPP com apoio da 1ª, 6ª, 7ª, 8ª, 9ª, 10ª e 11ª delegacias da DHPP, do Núcleo Operacional e Núcleo de Inteligência do DHPP.

Homícidio deu inícios as investigações do grupo

Um homicídio registrado em janeiro do ano passado que vitimou Marcelo Henrique Batista Silva, de 18 anos, no bairro Conjunto Palmeiras, no Grande Jangurussu, em Fortaleza, deu início às investigações do grupo criminoso com atuação na região. O homicídio foi ordenado por uma liderança local que fazia parte do coletivo criminoso.

De acordo com o delegado da DHPP, Leandro Matos, esse foi o grande fator para o início das investigações. “Nós chegamos a essa liderança e a partir daí houve o desdobramento. Por isso, nós conseguimos prender não só a liderança, que por sinal já estava presa, como os demais que estavam interligado”, informa.

Ainda segundo Leandro, o avanço da operação também contou com a colaboração de populares da região por meio de informações sobre o grupo. A denúncia do caso no Ministério Público do Ceará (MPCE) informa que seis pessoas foram denunciadas pela morte do jovem, onde a vítima foi espancada até a morte por integrantes da facção Guardiões do Estado (GDE) que agem na comunidade do Jagatá.

O mandante do crime foi identificado como Júlio César Moreira Da Silva, o “Julim Palhaço”, conforme denúncia do MPCE. O mandante ficou irritado após a vítima ter roubado dentro da própria comunidade — Jagatá — e teria ordenado a morte dele.

Conforme o relatório produzido pelo Núcleo de Inteligência da DHPP, Júlio teria reunido criminosos residentes na Comunidade Jagatá, onde predomina a facção delituosa Guardiões do Estado (GDE) e teria ordenado que espancassem a vítima até a morte.

O documento aponta como participantes os denunciados Davi Silva Lima, conhecido como “Davi da Lua”; Lucas Gabriel Vieira, com “Luquinha”, Eranilson Costa da Silva, como “Eron do Jagatá”; Josafá Ferreira dos Santos, como “Josafá”, e Rian de Sousa Gomes, conhecido como “Boró”.

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