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Pré-estação começa com chuvas acima de 100 mm em 3 municípios
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Pré-estação começa com chuvas acima de 100 mm em 3 municípios

|Ceará|O cenário ocorre pela atuação dos Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (Vcan) no Estado, sistema meteorológico que favorece as precipitações
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AVENIDA Pessoa Anta foi bloqueada pelas águas
 (Foto: fotos FÁBIO LIMA)
Foto: fotos FÁBIO LIMA AVENIDA Pessoa Anta foi bloqueada pelas águas

A pré-estação chuvosa de 2025, que começa em dezembro no Ceará e segue até janeiro, registrou chuvas acima de 100 milímetros (mm) no Estado. Nessa quarta-feira, 4, o município de Ipaumirim, na região do Cariri, registrou o maior índice, com 111.2 mm. Em seguida, as cidades de Acopiara e Milhã, no Sertão Central e Inhamuns, tiveram acúmulo de 100 mm, cada.

Foi observado uma alta de 405% entre os dois maiores acumulados no Estado em comparação ao mesmo período do ano passado, início da pré-estação chuvosa. O maior acumulado foi registrado no município de Novo Oriente, no Sertão Central e Inhamuns, com 22 mm. As informações são do portal da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

De acordo com o meteorologista da Funceme, Agustinho Brito, o cenário é explicado pela condição que o Estado estava nos dois períodos iniciais da pré-estação chuvosa neste ano e no ano passado. Segundo ele, três fatores favoreceram o diagnóstico do atual cenário que antecede o mês de fevereiro, período que inicia a quadra chuvosa no Ceará.

"As diferenças entre os anos é que um estava na condição do El Niño e, neste ano, ele está se encaminhando para a La Niña. O El Niño provoca chuvas abaixo da média. A La Niña, não. Outro fator diferente do ano passado é que, neste período, já houve a atuação do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (Vcan), que é o sistema comum de atuar na pré-estação", explica o meteorologista.

Ainda segundo o especialista, no ano passado, neste mesmo período, o Estado ainda não estava sob atuação do Vcan. O sistema meteorológico é característico por ter uma área onde os ventos nos níveis mais altos da atmosfera giram no sentido horário, fazendo com que o ar seco desses níveis desçam para a superfície favorecendo as chuvas.

Atualmente, o Vcan se encontra no Litoral Leste do Nordeste, proporcionando precipitações no Ceará, principalmente nas regiões de Jaguaribe, Sertão Central e Inhamuns, Cariri e Litoral de Fortaleza, onde, consequentemente, foram registrados os maiores acumulados dessa quarta-feira, 4.

A previsão da Funceme é de que a partir desta quinta-feira, 5, as condições sejam mais estáveis, mas ainda com possibilidade de chuvas no Estado. Ainda segundo a previsão da Funceme, devido ao deslocamento do Vcan para a região Oeste, consequentemente seu núcleo — região com menor formação de nuvens — deverá atuar reduzindo as condições mais favoráveis sobre o Ceará, principalmente na sexta-feira, 6.

Conforme Agostinho Brito, no ano passado, o sistema meteorológico Vcan foi observado na região apenas na segunda quinzena de dezembro. No período, com atuação do sistema, o Ceará chegou a registrar índices pluviômetros acima de 100 mm nos municípios de Monsenhor Tabosa e Reriutaba, no interior do Ceará.

Durante as chuvas registradas na manhã desta quarta-feira, 4, Fortaleza teve registros de pontos de alagamentos em ruas e avenidas da Capital, semáforos apagados em cruzamentos de vias e quedas de energia em pelo menos dez localidades no Estado desde às 7 horas da manhã.

Em Fortaleza, 12 bairros foram atingidos pela falta de energia. Em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), cinco bairros registraram problemas com quedas de energia.

A Enel, empresa responsável pela distribuição de energia do Ceará, afirmou que as quedas foram ocasionadas pelo desligamento da subestação Mondubim da Companhia Hidroelétrica São Francisco (Chesf), que atua na geração de energia na Capital. A empresa ainda informou que o serviço foi prejudicado por conta das chuvas.

 

FORTALEZA-CE, BRASIL, 14-06-2024: Alagamento no bairro Messejana.   (foto: Beatriz Boblitz/O Povo)
FORTALEZA-CE, BRASIL, 14-06-2024: Alagamento no bairro Messejana. (foto: Beatriz Boblitz/O Povo)

Defesa Civil registra 28 ocorrências nessa quarta-feira,4

Em Fortaleza, a precipitação foi de 42 milímetros. Decorrente disso, a Defesa Civil de Fortaleza registrou 28 ocorrências ao longo do dia. O levantamento, disponibilizado pela Secretaria da Segurança Cidadã de Fortaleza (Sesec), mostra que foram 19 acionamentos referentes a alagamentos, duas solicitações de lona, seis de risco de desabamento e uma de desabamento parcial, sem gravidade.

Os acionamentos, conforme a Sesec, vieram de 22 bairros espalhados pela Capital, foram eles:

  • Jardim Iracema
  • Centro
  • Quintino Cunha
  • Antônio Bezerra
  • Genibaú
  • Praia de Iracema
  • Pici
  • Barra do Ceará
  • Benfica
  • Parque Araxá
  • Mucuripe
  • Praia do Futuro
  • Cristo Redentor
  • Presidente Kennedy
  • Farias Brito
  • Cidade dos Funcionários
  • Vila Peri
  • Granja Lisboa
  • Dom Lustosa
  • Genibaú
  • Damas
  • Antônio Bezerra

Pontos críticos são monitorados 24 horas

A Sesec destaca que os pontos mais críticos da Capital seguem sendo monitorados 24h pelo Centro de Comando e Controle. A pasta reitera que os agentes trabalham em regime de plantão para atender às demandas da população. Em caso de risco, a Defesa Civil de Fortaleza deve ser acionada por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), cujo telefone de contato é 190.

De acordo com a Funceme, as maiores precipitações do Ceará foram registradas nos municípios de:

  • Ipaumirim (111 mm)
  • Acopiara (100 mm)
  • Milhã (100 mm)
  • Lavras da Mangabeira (90 mm)
  • Morada Nova (86 mm)
  • Jaguaretama (80 mm)
  • Cascavel (80 mm)
  • Senador Pompeu (77.5 mm)
  • Quixeramobim (72 mm)
  • Iguatu (67 mm)
  • Russas (65 mm)
  • Cedro (64 mm)
  • Aurora (55mm)
  • Redenção (50mm)
  • Crato (49 mm)
  • Caridade (49 mm)
  • Baturité (45.2 mm)
  • Caririaçu (45 mm)
  • Fortaleza (45 mm)

Passageiros relatam dificuldades de deslocamento no trânsito

Além da falta de energia em alguns bairros da Capital, questões voltadas à mobilidade urbana afetaram diretamente a população que utiliza os meios de transporte público municipais.

Isonilde Silva, 43, reside em Pacajus, distante 43 km de Fortaleza, e explica que saiu de casa às 5 horas para chegar no trabalho às 7h30min. Ela menciona que a demora no trajeto se deu, principalmente, devido aos semáforos apagados. “Trabalho no Hospital São Mateus, na Aldeota, e em dias normais, esse trajeto dura cerca de uma hora. Hoje demorou um pouquinho mais por conta do trânsito, muito lento, e por causa da chuva”, explica.

Vitória de Oliveira, 19, mora em Horizonte, município distante 43 km de Fortaleza, e veio à Capital para realizar uma consulta médica. Ela detalha que, para chegar às 15 horas no destino, teve que sair de casa por volta de 14 horas. “O trânsito estava muito lento, mesmo que agora não esteja chovendo, continua parado”, segue. “Agora é 15h30min, mesmo saindo agora eu só vou chegar em casa por volta das 17 horas”.

Edvaldo Alves, 74, por sua vez, explica que não enfrentou nenhuma dificuldade no trajeto Cascavel/ Fortaleza. Ele menciona que, para não “se estressar” no caminho, optou por pegar o ônibus que sai do terminal às 15 horas. “Foi tranquilo porque, de Cascavel pra cá, o trânsito é mais lento pela manhã e na volta, lá pelas 19 horas, que são os horários de pico. Como minha consulta é às 17 horas, optei por pegar o ônibus que sai do terminal 15 horas, pra não ter estresse”, relata.

 

FORTALEZA-CE, BRASIL, 04.12.2024: Chuva causa transtorno e alagamentos em Fortaleza.  Av. Pessoa Anta.  (foto: Fabio Lima/ OPOVO)
FORTALEZA-CE, BRASIL, 04.12.2024: Chuva causa transtorno e alagamentos em Fortaleza. Av. Pessoa Anta. (foto: Fabio Lima/ OPOVO)

Quatro cidades do Ceará recebem alerta de risco de desastres

Com a quarta-feira chuvosa em mais de 100 municípios cearenses, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu quatro alertas para risco de desastres naturais, todos no nível moderado, em três municípios no Ceará: Fortaleza, Caucaia e Maranguape.

Os dois informes em Caucaia foram para possíveis deslizamentos de massa (em áreas de relevo) e risco hidrológico (alagamentos). Em Maranguape também foram apontados riscos para movimentos de massa. Na Capital, a possibilidade indicada foi de alagamentos, que acabaram registrados em vários pontos da cidade na manhã de ontem, 4.

O Cemaden, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é o órgão federal que gerencia a atuação contra os desastres naturais no País. Dos 35 alertas vigentes no dia de hoje, até as 16h45min, os quatro do Nordeste eram os quatro do Ceará. Os outros 25 eram nos estados do Sudeste, todos também no nível moderado.

A escala vai de risco moderado a alto ou muito alto. Os dados de alertas são gerados a partir das informações de órgãos locais e de análises meteorológicas por satélite. O alerta é emitido para todo o município e os problemas em pontos específicos são descritos como uma subclassificação dentro do mesmo comunicado.

Pré-estação chuvosa no Ceará

Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil (Cedec), tenente-coronel Haroldo Gondim, o órgão acompanha atentamente a passagem do sistema meteorológico (Vórtice Ciclônico de Altos Níveis - VCAN) que gerou a intensidade das chuvas dessa quarta, dentro do período de pré-estação chuvosa iniciado no domingo, 1º de dezembro.

"Tivemos cidades com mais de 100 mm, transtornos como em Brejo Santo. Outras cidades citaram alagamentos, mas nada tão sério, que tenham vitimado alguém ou danos relevantes. Estamos monitorando todo o Estado, conversando com as defesas civis locais para entender o que esteja acontecendo", afirma Gondim.

Segundo o coordenador, a previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) é que o sistema indicativo de chuvas intensas sofra redução até a próxima sexta-feira, 6. "Ficaremos em contato com a Funceme e Cemaden para acompanhar a evolução dessa pré-estação". Nesta quarta, a maior chuva registrada no Ceará foi em Ipaumirim, na região Centro-Sul, com 111 mm.

O capitão Carlos Araújo, engenheiro da Defesa Civil do Estado, afirma que, diante dessas primeiras chuvas mais fortes de pré-estação, ainda não há problemas registrados quanto às estruturas de barragens no Estado. "Não houve nenhuma medida necessária no momento. Continuamos monitorando sobretudo barragens e alagamentos".

O oficial, no entanto, confirmou que nos próximos dias, como medida preventiva, deverão ser abertas as comportas do açude Maranguapinho, em Maranguape, que deságua dentro do território de Caucaia. "Todo ano fazemos esse monitoramento do Maranguapinho". A manobra, segundo Araújo, é para a Defesa Civil e a população não serem surpreendidos em alguma situação emergencial.

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