Logo O POVO+
Um em cada cinco domicílios no Ceará são alugados, aponta IBGE
CIDADES

Um em cada cinco domicílios no Ceará são alugados, aponta IBGE

| Censo Demográfico | Modelo é o segundo tipo de moradia mais recorrente no Estado
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
NÚMERO de residências próprias tem caído nos últimos anos (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS NÚMERO de residências próprias tem caído nos últimos anos

Cerca de 20,5% dos domicílios cearenses são alugados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado faz parte do Censo Demográfico por Características de Domicílios 2022, divulgado ontem, que indica um total de 1,8 milhão de cearenses morando de aluguel.

O Ceará apresenta números similares à média nacional, já que em todo o Brasil, um quinto dos lares também são provenientes de contratos de aluguel. Segundo dados do Censo, o Brasil tem seguido uma tendência de crescimento no número de imóveis alugados, saindo de 12,9% no Censo de 2000, para 16,4% em 2010 e 20,9% na atual edição do levantamento.

Ainda de acordo com o Censo Demográfico, cerca de 35% dos domicílios cearenses onde residem uma pessoa acima dos 15 anos e pelo menos uma criança até os 14, são alugados. Em comparativo, o percentual é 13% maior que os 22% de casas alugadas em números gerais do Estado.

O levantamento também reforça que esse público, de pessoas acima dos 15 anos responsáveis por crianças, é composto em maioria por pais e mães solo, especialmente por mulheres.

"Predominantemente eram arranjos domiciliares monoparentais tipicamente femininos e não masculinos, muitas mães morando com os filhos", destaca o chefe da Seção de Disseminação de Pesquisas do IBGE, Helder Rocha. 

A publicação do IBGE ressalta ainda que no processo de saída da casa dos pais, os jovens encontram no aluguel uma forma de independência e de iniciar a vida adulta junto ao filho recém chegado. Em alguns casos, esse movimento é acompanhado por uma mudança ainda maior, quando a pessoa vai morar em outra cidade.

O doutor em Geografia Humana, Alexandre Queiroz Pereira, explica que o aumento no quantitativo de domicílios alugados, se dá, principalmente, à falta de políticas públicas de moradia.

"Houve uma retração das políticas habitacionais, pensando em investimentos públicos, tanto nas moradias populares para pessoas de menor renda e menos incentivos à aquisição de imóveis às famílias com renda média. A dificuldade de acessar o imóvel próprio no Brasil leva as famílias à aquisição de imóveis alugados", pontua.

O que você achou desse conteúdo?