O Instituto de Música Jacques Klein (IMJK) realizou a primeira Experiência Musical de 2025, com alunos da fundação. O evento ocorreu na sede do instituto, no bairro Passaré, em Fortaleza. Atualmente, cerca de 550 crianças e adolescentes são beneficiados pela ação.
Na apresentação desta segunda-feira, 24, estavam presentes cerca de 51 alunos, divididos em em duas orquestras. Para este ano, estão programados oito concertos entre os meses de abril e dezembro.
O instituto foi fundado há 12 anos, visando criar oportunidades para crianças e adolescentes que habitam em áreas de alta vulnerabilidade social da Capital. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançado em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do bairro é 0,423 e a renda média da população é de R$ 619,47.
O IMJK conta com parcerias institucionais da Casa José de Alencar, Universidade Federal do Ceará (UFC), Beach Park, Naturágua, Escritório de Advocacia Fonteles e Associados, Instituto Raimundo Vieira Cunha e Escritório de Advocacia Clóvis Mapurunga, além do apoio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) e da realização do Ministério da Cultura do Governo Federal.
Diretora-executiva do instituto há sete anos, Fabrícia Abrantes conta que desde 2012 o IMJK traz a “vertente de ajudar e transformar a vida das pessoas”. “O instituto surgiu quando a família Fiuza se viu no desejo de devolver à sociedade toda educação de qualidade que eles tiveram”.
Questionada sobre a sensação de dirigir o projeto, Fabrícia revela: “É uma transformação de vida, é uma oportunidade que a gente dá. Muitos deles saem [como] cidadãos de boa fé, preparados para o mercado e para enfrentar adversidades”.
São ofertados cursos de iniciação musical, a partir dos três anos de idade. A partir dos seis anos, os alunos aprendem a tocar viola, violoncelo, contrabaixo, violino e piano. Além disso, são ofertadas aulas de canto coral.
Para se tornar aluno é necessário estar na rede pública de ensino e residir em uma área de vulnerabilidade social.
Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, o maestro do instituto, Luis Maurício, iniciou na carreira artística aos dez anos de idade. Atualmente, coordena as aulas de violoncelo no instituto.
“Trabalho com isso há 30 anos e o que eu sempre vejo é o estereótipo que todos dizem: ‘ah, as crianças não vão gostar’, e são as que mais gostam”, revela com um sorriso no rosto.
“Quando eles veem, sobretudo crianças tocando para outras crianças, é aí que a coisa prolifera, pro bem, claro (...) Isso traz uma uma realização pessoal e profissional muito grande, porque eu também fui atingido por essa mesma música e por essa mesma arte quando eu tinha a idade deles”, relembra.
Luis acredita que os jovens precisam ter esse tipo de possibilidade. “E normalmente quem prova não larga, mesmo que não siga num âmbito tão profundo quanto profissional, mas não larga. Isso faz parte da vida toda, sabe?”, complementa.
Moradora do bairro Jóquei Clube, a estudante de administração Fernanda Sara, revela que é aluna do instituto há dez anos. A jovem começou no IMJK tocando flauta doce, e atualmente está tangendo o violoncelo.
“Fui pro violino, e passei um ano mais ou menos também, não gostei do som, aí eu [disse] ‘não quero trocar’. Aí eu escutei o som do violoncelo e me apaixonei. Está sendo um processo maravilhoso de aprendizado e novos professores vieram e novas crianças vieram também. Tá sendo muito maravilhoso”.
Para ela, a importância do projeto é retirar as crianças da rua. “Eles ficam sem nada pra fazer e às vezes são levados para o mau caminho. A instituição ajuda elas a ocuparem o tempo livre e acaba que elas se empolgam muito”, conta animada.
Requisito
Para se tornar aluno é necessário estar na rede pública de ensino e residir em uma área de vulnerabilidade social