No mês de março, o Ceará registrou média de chuvas de 209,8 milímetros. O valor é suficiente para atingir o esperado para o período, calculado com base na média histórica.
As macrorregiões que mais receberam chuvas foram o Maciço de Baturité, o Litoral de Fortaleza e o Cariri. O meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) Francisco Vasconcelos Júnior chama atenção para as precipitações registradas na última quinzena do mês no Centro-Sul.
“Nós tivemos chuvas mais concentradas ali, alguns dias de chuva mais severas, principalmente em Iguatu e Várzea Alegre. Como chove menos naquela região, com dias mais chuvosos já ficou acima da normalidade”, explica.
O município de Penaforte, no Cariri, tinha recebido menos da metade das chuvas esperadas para o mês até o dia 20 de março. Com as fortes precipitações ocorridas nos últimos 10 dias, a cidade passou a ter mais que o dobro da média do mês. É o maior desvio positivo do Estado, ficando 141,9% acima da média.
Com as chuvas concentradas, alagamentos atingiram grande parte da zona rural do município neste sábado, 29, e domingo, 30. A prefeitura de Penaforte pediu apoio à Defesa Civil do Estado. Equipes do órgão se deslocaram para avaliar a situação. Não há registro de feridos.
O mês teve eventos extremos de chuva também no Litoral. Depois de fortes precipitações deixarem comunidades alagadas e pessoas desabrigadas, Caucaia teve a situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Nacional. Além dela, as cidades de Capistrano e Russas receberam o reconhecimento por danos após chuvas intensas.
Já entre os municípios que ficaram mais longe de atingir a média histórica do mês, os que compõem a macrorregião da Ibiapaba se destacam. Guaraciaba do Norte, Carnaubal, São Benedito, Ibiapina e Viçosa do Ceará tiveram médias no mínimo 40% abaixo do esperado.
Os primeiros três meses do ano tiveram média de chuvas 22,7% acima do esperado. “Isso ocorre muito devido ao mês de janeiro, que foi muito chuvoso. Olhando fevereiro e março, que são meses mais chuvosos, estão bem dentro da normalidade”, diz Francisco.
O meteorologista Francisco Júnior afirma que março teve chuvas mais regulares, o que é importante para “a formação de corredeiras de rios e escoamento de água para encher açudes”.
O Ceará terminou o mês com 41 reservatórios em sangria. O aporte recebido pelos açudes foi de 1,99 bilhão de metros cúbicos (m³) de água.
No mesmo mês de 2024, o aporte chegou a 2,16 bilhões m³. Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
O único mês que superou o do ano anterior em quantidade de aporte foi janeiro, com 0,08 bilhão m³ em 2024 e 0,59 bilhão m³ em 2025.
Ao todo, o Estado teve 2,92 bilhões m³ de aporte em 2025 até 31 de março. Isso fez com que a reserva hídrica atingisse 51,10% da capacidade total dos açudes.
Março é considerado o “pico” da quadra chuvosa no Ceará. A partir do início de abril, é esperado que as chuvas sejam mais irregulares e em menor quantidade.
“Nós ainda temos alguns eventos de precipitação, principalmente na parte central e no Norte. E também algum dia ou outro mais no Sul. Temos uma irregularidade no tempo e no espaço”, explica o meteorologista.
Francisco explica que há a possibilidade de abril não atingir a média climatológica do mês. Isso ocorre porque a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas no Ceará durante a quadra, está se distanciando do Estado e seguindo para o Norte.
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Outro fator que pode influenciar na diminuição das chuvas é o enfraquecimento das condições de La Niña. As águas da parte Central e Oeste do oceano Pacífico continuam mais frias do que o normal, favorecendo as chuvas. No entanto, a porção Leste do Pacífico já está mais quente.
“Ano passado nós tínhamos um El Niño, que é essa questão do aquecimento anômalo da temperatura de superfície do Pacífico Equatorial Leste. Agora nós estávamos em condições de resfriamento, mas como ela não persistiu vários meses, nós não temos um evento de La Niña propriamente dito. Temos apenas condições”, explica.
Dados de março de 2025
10 municípios com maior desvio abaixo da média de chuvas:
> Senador Pompeu (Sertão Central e Inhamuns): -59,2%
> Baixio (Cariri): -56,3%
> Guaraciaba do Norte (Ibiapaba): -55,3%
> Massapê
(Litoral Norte): -50,6%
> Carnaubal
(Ibiapaba): -49,1%
> São Benedito
(Ibiapaba): -46,7%
> Ibiapina
(Ibiapaba): -46%
> Umari (Cariri): -44,8%
> Milhã (Sertão Central e Inhamuns): -44,5%
> Viçosa do Ceará (Ibiapaba): -44,4%
10 municípios com maior desvio acima da média de chuvas:
> Penaforte
(Cariri): 141,9%
> Saboeiro
(Sertão Central e Inhamuns): 125,2%
> Tarrafas (Sertão Central e Inhamuns): 120,6%
> Cariús (Cariri): 115,3%
> Várzea Alegre
(Cariri): 109,6%
> Arneiroz
(Sertão Central e Inhamuns): 96,4%
> Novo Oriente
(Sertão Central e
Inhamuns): 93,1%
> Catarina (Sertão Central e Inhamuns): 81,2%
> Ibaretama
(Sertão Central e Inhamuns): 73,3%
> Ipaporanga
(Ibiapaba): 67,3%
Fonte: Funceme
Açudes: aporte não supera o de março de 2024
O meteorologista da Funceme, Francisco Júnior, afirma que março teve chuvas mais regulares, o que é importante para "a formação de corredeiras de rios e escoamento de água para encher açudes".
O Ceará terminou o mês com 41 reservatórios em sangria. O aporte recebido pelos açudes foi de 1,99 bilhão de m³ de água.
No mesmo mês de 2024, o aporte chegou a 2,16 bilhões m³. Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
O único mês que superou o do ano anterior em quantidade de aporte foi janeiro, com 0,08 bilhão m³ em 2024 e 0,59 bilhão m³ em 2025.
Ao todo, o Estado teve 2,92 bilhões m³ de aporte em 2025 até 31 de março. Isso fez com que a reserva hídrica atingisse 51,10% da capacidade total dos açudes.
40% abaixo
Entre os municípios que ficaram mais longe de atingir a média histórica do mês, os que compõem a macrorregião da Ibiapaba se destacam
Expectativas para as chuvas do mês de abril
Março é considerado o "pico" da quadra chuvosa no Ceará. A partir do início de abril, é esperado que as chuvas sejam mais irregulares e em menor quantidade.
"Nós ainda temos alguns eventos de precipitação, principalmente na parte central e no Norte. E também algum dia ou outro mais no Sul. Temos uma irregularidade no tempo e no espaço", explica Francisco Júnior, da Funceme.
O meteorologista afirma que há a possibilidade de abril não atingir a média climatológica do mês. Isso ocorre porque a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas no Ceará durante a quadra, está se distanciando do Estado e seguindo para o Norte.
Outro fator que pode influenciar na diminuição das chuvas é o enfraquecimento das condições de La Niña. As águas da parte Central e Oeste do oceano Pacífico continuam mais frias do que o normal, favorecendo as chuvas. No entanto, a porção Leste do Pacífico já está mais quente.
"Ano passado tínhamos um El Niño, que é essa questão do aquecimento anômalo da temperatura de superfície do Pacífico Equatorial Leste. Agora nós estávamos em condições de resfriamento, mas como ela não persistiu vários meses, não temos um evento de La Niña propriamente dito. Há apenas condições", explica.