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Mounjaro: tirzepatida é primeira substância eficaz contra apneia do sono
Ciência e Saúde

Mounjaro: tirzepatida é primeira substância eficaz contra apneia do sono

| Pesquisa | Estudo publicado no The New England Journal of Medicine revela que a tirzepatida reduziu em mais de 60% a gravidade da apneia obstrutiva do sono (AOS)
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A tirzepatida — ou Mounjaro, seu nome comercial —, substância indicada para controle glicêmico de adultos com diabetes mellitus tipo 2, é a primeira a apresentar resultados de eficácia para tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS). Em formato de caneta, semelhante ao Ozempic, o remédio é cada vez mais utilizado para perda de peso.

A apneia vai muito além do ronco: é um distúrbio que provoca paradas respiratórias durante o sono e pode causar outras complicações. Estudo mostrou que a tirzepatida reduziu a gravidade da AOS em até 62,8% (cerca de 30 eventos a menos por hora).

A tirzepatida é uma molécula que ativa os receptores dos dois hormônios incretínicos. Eles são hormônios produzidos pelo trato gastrointestinal em resposta à chegada de nutrientes ao intestino e estimulam a secreção de insulina pelo pâncreas.

São eles o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e o GLP-1 (peptídeo 1 semelhante ao glucagon). Os receptores GIP e GLP-1 são encontrados em áreas do cérebro humano importantes para a regulação do apetite.

Os resultados são fruto da fase 3 do conjunto de estudos SURMOUNT-OSA, que submeteu a molécula para o tratamento da AOS moderada à grave nos pacientes com obesidade. A Eli Lilly and Company submeteu o estudo à agência regulatória dos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration).

O resultado foi apresentado no Congresso Internacional de Obesidade 2024 (ICO), realizado em São Paulo, no fim de junho. O estudo comparou a eficácia e a segurança da tirzepatida com placebo em adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada e grave. "No estudo 1, eles não podiam ou não queriam usar a terapia com pressão positiva nas vias áreas (CPAP), enquanto no estudo 2 eles já usavam e planejavam permanecer com CPAP durante toda a duração do estudo", explica a farmacêutica. O conjunto de estudos contou com 469 participantes de diversos países, como EUA, Austrália, Brasil, China, República Tcheca Alemanha, Japão, México e Taiwan.


*A jornalista viajou ao ICO a convite da Eli Lilly
and Company.

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