A psicóloga Marina Rotty, que vive um relacionamento não-monogâmico há mais de 18 anos e escreve sobre o tema no blog Marina & Márcio também fala sobre a questão.
"Tudo que se refere a sexo tende a ser generalizado e tratado como pecado, como sujo, errado. Mas quem pratica o relacionamento liberal sabe que não é só o sexo em si; é o que acontece depois, o convívio do casal, a conversa, a intimidade compartilhada", explica.
Os doadores parecem estar bem atentos à questão. Carlos* (nome fictício para garantir anonimato da fonte), de 40 anos, diz que muitos enxergam os doadores como prostitutos. "Alguns até são, mas não quer dizer que sejamos todos", explica.
"O intuito da maioria é, de fato, ajudar casais a ter filhos. Claro que se for tudo conversado, acordado e for do interesse de todos, pode ter alguma forma de prazer envolvida. Mas é sempre tudo com muito respeito", finaliza.
Do ponto de vista da saúde, a inseminação caseira não é recomendada pelos médicos por apresentar diversos riscos à pessoa gestante e ao bebê.
A principal preocupação dos especialistas é a ausência de triagem do doador para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, hepatite B e C, sífilis e herpes genital.
Apesar de muitos fazerem questão de apresentar fotos dos "exames em dia", não é possível garantir a autenticidade dos testes. As infecções podem ser transmitidas para quem gesta e para o bebê durante a inseminação, podendo causar graves problemas de saúde, inclusive o risco de aborto espontâneo e malformação congênita do feto.