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Que tipo de jogo se faz no Brasil?
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Que tipo de jogo se faz no Brasil?

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Em um mercado competitivo em que vários títulos buscam se destacar, o Brasil viu o crescimento de novas editoras que lutam por seu espaço e disputam a criatividade dos desenvolvedores e criadores, demandando do mercado, profissionais com qualificações cada vez mais específicas.

Dentro desse contexto, os jogos modernos, ou seja, os lançamentos originais conquistam corações de um público exigente que busca mecânicas e pensamentos estratégicos e não apenas deixar sua "sorte para os dados" em cada partida.

Títulos como Dixit (Galápagos), Coup (Grok) e Taco Gato Cabra Queijo Pizza (PaperGames) acumulam milhares de compras em sites como a Amazon, além de serem menores e com dinâmicas de jogabilidade mais rápidas que os jogos antigos.

Para uma editora como a Buró, as mecânicas baseadas em estratégia estão no cerne dos jogos modernos. "Jogos antigos eram talvez menos estratégicos do que os atuais, uma vez que não importava o que você fazia ou como jogava, os dados determinavam suas chances de vitória e sucesso. Esse fator de sorte está muito ausente ou mitigado nos jogos modernos, o que os tornam jogos onde o jogar, o pensar, a estratégia sejam mais palpáveis que os antigos", avalia Antonio Sá, um dos sócios da Buró.

Sanderson Virgolino, da editora Maloca Jogos, é um dos brasileiros que conhece bem esse mercado. O carioca é autor de 17 títulos, inclusive alguns considerados por ele como afrogames, ou jogos afrocentrados. A proposta é oferecer perspectivas tipicamente brasileiras, negras e periféricas em suas criações.

O designer de jogos conta que começou a desenvolver jogos após uma conversa com um amigo, também negro, em que notaram quão pequena é a representatividade vista na maioria dos boardgames tradicionais. "Antes a minha ideia era só fazer jogo porque eu queria, eu achava legal. Mas depois eu comecei a ver que a gente tinha uma carência de jogos que falassem da gente, que também falassem da periferia, de pessoas negras. Então eu comecei a olhar para isso com outros outros olhos, outros tipos de responsabilidades."

Ele é autor de um dos boardgames mais bem posicionados no ranking de jogos criados por brasileiros na Ludopedia. Seu cardgame Cangaço, lançado pela Buró em 2019 com temática, ocupa o 35º lugar no ranking de jogos nacionais e a posição 492 no ranking de todos os jogos da plataforma. Até junho de 2024, Ludopedia registrava 608 jogos nacionais e 3.955 no geral cadastrados em seus rankings. Sendo que jogos com menos de 10 avaliações não aparecem no ranking.

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