A startup cearense Alert Alergo desenvolveu uma solução que acaba de receber um aporte de R$ 1,4 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e visa monitorar e emitir alertas para equipes médicas quanto às pacientes alérgicos.
A ideia surgiu com a fisioterapeuta e docente Ingrid Correia, as médicas alergistas Lorena Madeira e Liana Jucá, e a acadêmica de Medicina, Ludmila Madeira, e conta com o apoio da UniChristus, do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e do CriarCE, primeira aceleradora pública de hardware do Brasil.
O CriarCE, a propósito, é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), e conta com as parcerias da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), ambas do Governo do Estado do Ceará, e da Casa Azul Ventures, aceleradora de startups do Grupo O POVO de Comunicação e do EloGroup.
O sistema desenvolvido pela startup promove o monitoramento e emite alertas em tempo real para pacientes alérgicos. A tecnologia utiliza dispositivos tais como pulseiras e colares, que indicam à equipe de saúde sobre alergias, principalmente, a medicamentos, evitando possíveis complicações e até óbitos decorrentes da aplicação de substâncias rejeitadas pelo organismo do paciente.
Conforme a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), entre 15 e 16 milhões de brasileiros são alérgicos a medicamentos. Outro estudo apontou que 16,2% dos pacientes adultos internados sofrem reações adversas a medicamentos, das quais 84% eram previsíveis.
Para o coordenador do CriarCE, Thiago Barros, a startup entendeu o problema e desenvolveu um sistema proativo para hospitais. “Quando o paciente chega, ele recebe um dispositivo que pode ser uma pulseira ou um colar, que se conecta às bandejas de medicamentos e a outros dispositivos. Dessa forma, ele cria um alerta para o profissional que, muitas vezes, está cansado e já trabalhando no automático”, pondera.
Uma das fundadoras da Alert Alergo, a fisioterapeuta e professora Ingrid Correia lembra que “o projeto se iniciou por meio de uma conversa com a Dra. Lorena Madeira, que é médica alergista, e aí veio a ideia de desenvolver uma tecnologia para alérgicos. Naquele momento, ela trouxe a ideia de a gente desenvolver uma pulseira com QR Code, para que fosse realizada a leitura da pulseira junto com algum sistema que a gente poderia vir a criar”.
Ela prosseguiu explicando que a solução precisou passar por dois editais, um para criar o chamado MVP (sigla em inglês para produto minimamente viável, ou protótipo) e um segundo para aperfeiçoar a tecnologia. Depois houve a oportunidade de apresentar ao MCTI, que está apostando na ideia.
“Eles colocaram a necessidade de expandir a tecnologia, não só para alérgicos, mas também para pessoas com deficiência e idosos. O objetivo é trabalhar para validar e construir um produto que possa ser disponibilizado, primeiro para o SUS, e também para a iniciativa privada”, projeta.
Por fim, a coordenadora de Inovação e Empreendedorismo da Secitece, Sarah Monteiro, avalia que"com investimento e apoio adequados, o Ceará pode se consolidar um polo de inovação na área da saúde”.