Após o fechamento de 546.624 vagas em dezembro de 2024, segundo dado revisado, o mercado de trabalho formal registrou um saldo positivo de 137.303 carteiras assinadas em janeiro deste ano, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.
O resultado do emprego no mês passado decorreu de 2.271.611 admissões e 2.134 308 demissões. No mesmo período de 2024, houve abertura de 173 233 vagas com carteira assinada, na série ajustada.
O resultado veio acima da mediana das projeções de analistas consultados pelo Projeções Broadcast. A mediana indicava a criação líquida de 50,5 mil vagas com carteira assinada e o intervalo das estimativas, todas positivas, variava de 20 mil a 240 mil vagas formais criadas.
O setor da indústria puxou o desempenho do emprego para cima no mês passado, com a criação de 70.428 postos formais, seguido pelos serviços, que abriram 45.165 vagas. Já a construção criou 38 373 vagas em janeiro. Houve ainda a abertura de 35.754 vagas na agropecuária. Já o comércio registrou fechamento de vagas, em 52.417 postos.
De acordo com o Caged, no primeiro mês do ano, 17 das 27 unidades da Federação obtiveram resultado positivo na criação de postos de trabalho. O melhor desempenho entre os Estados foi registrado em São Paulo, com saldo positivo de 36.125 postos de trabalho. Já o pior aconteceu no Rio, onde 12.960 vagas foram fechadas.
O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada foi de R$ 2.251,33 em janeiro. Comparado ao mês anterior, houve um acréscimo de R$ 89,01, alta de 4,12%.
Na análise do economista do ASA Leonardo Costa, com o resultado, a expectativa é de um Produto Interno Bruto (PIB) forte no primeiro trimestre, sob influência do setor agropecuário. "A surpresa com o Caged ainda é preliminar, mas indica crescimento da economia um pouco maior no período."
Para o economista da Terra Investimentos Homero Guizzo, o resultado de janeiro "impressionou". "Além da aceleração na criação de vagas, vimos aceleração de mais de 4% do crescimento do salário médio real. Deixa a impressão de que o dado de dezembro parece ter sido um ruído", afirma.
Guizzo avalia que é preciso aguardar a confirmação dos dados da taxa de desemprego, mas considera que, em princípio, o mercado de trabalho não está desacelerando como o esperado, o que pode indicar um risco maior para a inflação.
"Tivemos um mês de dezembro com resultados muito ruins. Parecia que a atividade poderia ter uma desaceleração mais abrupta", avalia o chefe de macroeconomia da Kínitro Capital, João Savignon. Apesar disso, o resultado de janeiro não altera a perspectiva de acomodação das taxas de criação de vagas ao longo de 2025. (Agência Estado)