Após protagonizar uma incrível sequência de 12 jogos de invencibilidade — com nove vitórias neste recorte — e se colocar como a sensação do futebol brasileiro, o Fortaleza caiu de produção nos confrontos mais recentes e passou a viver o outro lado da moeda: o da instabilidade e das más atuações. A fase é consequência de problemas em pilares fundamentais no futebol, como rendimento individual, coletivo e tático.
Exatamente por ter se tornado, em determinado momento, o “time a ser batido” do Brasil, o Fortaleza atraiu mais olhares, e, da perspectiva dos adversários, passou a ser analisado de forma mais minuciosa. A ideia de ter pouca posse de bola e muita força nas transições, com velocidade dos pontas e bolas longas nas costas da linha defensiva do rival, funcionou por bastante tempo, mas tornou-se previsível.
Afinal, o Tricolor chegou a ser a equipe que mais conseguiu absorver pressão e sustentar o resultado no Brasileirão — várias das vitórias conquistadas aconteceram por um gol de diferença. O modelo, entretanto, exige que o time sempre jogue no limite físico e mental. Em paralelo aos rivais, que passaram a entender o modelo do Fortaleza, o desempenho geral do Leão caiu abruptamente.
Todos setores perderam força. O sistema defensivo, antes sólido, sofreu sete gols nos últimos quatro jogos. Para se ter dimensão, naquela sequência de 12 partidas sem perder, o Tricolor foi vazado nove vezes. No ataque, a dupla argentina Lucero e Pochettino, outrora decisivos com gols e assistências, respectivamente, contribuíram com somente um gol nos cinco embates recentes do clube cearense.
O meio-campo tem sido outro elo de fragilidade. As tentativas de Vojvoda na composição central se mostraram pouco efetivas na marcação e construção. Em todos os quatro duelos recentes, marcados por três derrotas, contra Botafogo, Internacional e Corinthians, e um empate, diante do Athletico-PR, o adversário teve soberania no setor.
A derrota para o Corinthians na Arena Castelão, por 2 a 0, em noite que o Fortaleza teve atuação irreconhecível, uma das piores da temporada, foi um “choque” necessário. A classificação à semifinal da Sul-Americana ficou difícil, mas não impossível. No Brasileirão, a equipe é a terceira colocada, a quatro pontos do líder Botafogo.
Viver um momento conturbado e de oscilação não é novidade alguma para Vojvoda. O treinador já lidou com situações semelhantes — e bem piores. A capacidade de encontrar alternativas e se reinventar em meio a pressão é um dos maiores trunfos do comandante argentino e sua comissão técnica. Será necessário fazer isso novamente.
"Agora é descansar, recuperar, manter a cabeça boa, no lugar, porque sábado a gente tem um jogo dificílimo contra o Bahia (pela Série A). Precisamos do nosso torcedor. Não é só nas vitórias que o torcedor tem que incentivar, nas derrotas também. Claro que tem que cobrar, a gente aceita as cobranças. Tem que aceitar, ficar calado, trabalhar, mas a gente vem numa boa temporada e não vai ser esse resultado que vai abalar a gente. A gente vai dar a volta por cima, fazer um grande jogo no sábado e conseguir a vitória", disse Tinga após derrota na Sula.