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Lições do empate: Ceará precisa reajustar sistema defensivo para evitar novos tropeços
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Lições do empate: Ceará precisa reajustar sistema defensivo para evitar novos tropeços

As sucessivas falhas de marcação do Vovô no duelo contra o Bragantino custaram uma vitória que seria importantíssima na Série A. Além disso, a equipe sofreu seis gols nos últimos três jogos
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Bruno Ferreira é o goleiro titular do Vovô
 (Foto: Lucas Emanuel/FCF)
Foto: Lucas Emanuel/FCF Bruno Ferreira é o goleiro titular do Vovô

O gol que culminou no empate do RB Bragantino-SP, sofrido nos acréscimos do segundo tempo, causou, inevitavelmente, um gosto amargo no Ceará — embora jogadores e o técnico Léo Condé tenham valorizado o ponto somado. As falhas coletivas do sistema defensivo alvinegro nos dois tentos do Massa Bruta foram cruciais para o resultado final, que poderia ter sido de triunfo do Vovô.

O empate, de fato, não é ruim. Afinal, tratava-se de um confronto fora de casa, diante de um clube que vem de cinco temporadas seguidas na elite nacional. Mas o contexto da partida traz reflexões. Após abrir dois gols de vantagem, o Ceará, que até os 25 minutos tomava conta do jogo e exibia um de seus melhores desempenhos na temporada, recuou excessivamente. Não apenas isso: desorganizou-se.

A postura poderia ter sido outra. O Bragantino, nitidamente, sentiu o baque. O Alvinegro, entretanto, não soube aproveitar o bom momento e deu margem para o time paulista retomar a confiança ao longo dos minutos. O lado esquerdo do Vovô, preenchido pelo lateral Matheus Bahia e pelo atacante Fernandinho, foi um dos pontos fracos explorados pelo Massa Bruta no restante da primeira etapa.

Foi por ali, inclusive, que o RB Bragantino marcou seu gol no final do primeiro tempo, com Laquintana. Na segunda etapa, o Vovô sofreu alguns sustos por falhas de marcação, mas conseguiu sustentar o placar até os acréscimos. Já com todas as alterações realizadas, o Alvinegro viu Ramires, livre na intermediária após jogada pela linha de fundo — pelo lado esquerdo, diga-se —, empatar.

Lourenço, Lucas Lima e Rômulo, nenhum deles estava posicionado na entrada da área para intervir em um possível, e até previsível, passe naquela região. Todos haviam entrado ao longo do segundo tempo para fortalecer o meio-campo e nenhum deles correspondeu, fora do ritmo que o jogo pedia. Na Série A, o nível da competição pede atenção máxima, do início ao fim. Caso contrário, a punição geralmente vem.

E para um time como o Ceará, que está retornando à primeira divisão, ter um sistema defensivo sólido é fundamental para uma boa campanha no torneio. O curioso é que a dupla de zaga formada por Marllon e Willian Machado passa confiança e tem sido um dos grandes destaques do time em 2025. Porém, isso não basta. Há outros fatores coletivos envolvidos, como posicionamento, recomposição e cobertura, elementos que necessitam de contribuição geral.

Nos últimos três duelos que disputou, o Ceará sofreu seis gols: um contra o Fortaleza, na final do Campeonato Cearense; três diante do Bahia, pela Copa do Nordeste; e dois perante o RB Bragantino, na segunda-feira passada, 31. Uma má sequência defensiva que, no mínimo, liga o alerta para que ajustes sejam feitos. Hoje, o elenco alvinegro se reapresenta para iniciar a preparação visando ao Grêmio, próximo rival no Brasileirão.

“Vínhamos com uma produção defensiva muito positiva, principalmente nos clássicos. A bola (adversária) quase não chegava ao nosso gol, e agora, de uma certa forma, pegamos dois jogos fora de casa, duas equipes qualificadas, mas, com certeza, vamos dar uma atenção maior nesse setor”, disse Léo Condé.

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