Primeiro clube do Nordeste a jogar o Novo Basquete Brasil (NBB), o Fortaleza Basquete Cearense tem sido, nos últimos anos, o principal destaque do esporte local à exceção do futebol. No clube desde a criação, inicialmente como supervisor técnico, o atual presidente do clube, Thális Braga, viveu os 12 anos de projeto, onde presenciou a evolução, criou identificação e realiza o sonho de trabalhar no mundo esportivo.
Por dentro do crescimento de um “patrimônio do esporte no Ceará”, como definiu, Thális falou ao O POVO sobre a constante evolução e amadurecimento da instituição. Como exemplo, comentou sobre a criação do time feminino, para qual o clube “finalmente estava em um momento maduro”.
Com destaque no cenário nacional, o mandatário projetou os próximos anos do Carcalaion e falou sobre título: “É um projeto que a gente já pode visualizar como médio prazo”.
O POVO - A torcida do Fortaleza BC tem apoiado, lotando ginásios e vibrando com o time. Como tem sido a relação do elenco e da comissão com os torcedores?
Thális Braga - Temos uma relação maravilhosa, de muito amor e engajamento. A torcida do Fortaleza, assim como eles fazem no futebol, eles têm replicado no basquete. Logo, a gente tem recebido muito carinho. Principalmente nesta reta final, com tantos jogos importantes.
OP - O Fortaleza é um dos únicos representantes nordestinos do NBB, ao lado do Unifacisa-PB. O que isso simboliza?
Thális - O fator de sermos os únicos nordestinos traz muito da nossa garra, da nossa força, da nossa resiliência de estar protagonizando, dentro de um cenário extremamente competitivo, dominado pelos times do do eixo (Rio de Janeiro e São Paulo). A gente tem duas equipes muito fortes. Eu acho que, sem querer parecer prepotente, a gente já se acostumou com um cenário onde a gente trabalha. Hoje, faz pouca diferença ganhar de A ou B. Ou seja, a gente quer vencer jogo. Pode ser contra o Minas, o Flamengo, pode ser com times de menos tradição, mas a gente quer ganhar, quer vencer.
OP - Quando era mais jovem, o senhor também jogou basquete, chegou à seleção cearense e foi capitão de algumas equipes. Desde lá, já visava trabalhar com o esporte?
Thális - Eu joguei na minha época de categoria de base, dos 12 até os 19 anos. Joguei, sim, na seleção cearense universitária, passei por todos os clubes sociais aqui do Estado do Ceará e na minha transição, falando deste mundo pós-atleta, eu visualizava isso. Queria muito poder trabalhar com gestão esportiva, com marketing esportivo, mas ainda não sabia como. Acabei vindo para o melhor cenário possível, um clube profissional de basquetebol. Fico muito feliz de estar na função que eu estou hoje, desempenhando um papel que faço com muito amor e empenho. Espero continuar neste mercado por longos e longos anos.
OP - Seu começo no Basquete Cearense foi como supervisor técnico. Quais foram as principais mudanças do início até hoje e qual a importância do Carcalaion para os esportes olímpicos do Ceará?
Thális - A primeira mudança é que quando você passa assinar o cheque, a brincadeira fica um pouco mais séria. É bom, mas a mudança realmente poder ter uma participação mais decisiva nos aspectos ligados à gestão em si da entidade, ao planejamento, à articulação das metas, ter mais autonomia em relação a essa parte de construção de elenco, de formação da nossa equipe de trabalho.
A importância do Fortaleza Basquete Cearense para o Ceará, como modalidade olímpica, eu acho que os números falam por si. Se você olhar, existe apenas a nossa equipe fora do contexto do futebol nessa posição. Isso mostra a dificuldade que é o cenário para você chegar e se estabelecer lá.
São 12 anos nessa posição. Digamos que temos o protagonismo dentro dos esportes olímpicos do Estado, então a gente espera, como eu costumo dizer, que a sociedade, de uma forma geral, tenha esse reconhecimento e apoie cada vez mais a equipe. O projeto é que os patrocinadores cheguem junto, porque nós somos um patrimônio do esporte no Ceará. A gente leva o nome do nosso Estado para todas as cidades do país, fazendo isso com muito orgulho.
OP - No início do mês, a brasileira Kamilla Cardoso ganhou destaque por ter sido a terceira escolhida no Draft para a WNBA. Recentemente, o Fortaleza BC abriu a modalidade feminina. Qual a importância de iniciar esse projeto e quais são os próximos passos do clube?
Thális - Depois de 12 anos de Basquete Cearense, a gente finalmente entendeu que estava em um momento maduro para oferecer essa oportunidades também para as meninas, né? É um processo que começa com essa transição entre as categorias de base e o mundo profissional. A ideia é que elas possam ir evoluindo dentro das competições, ganhando tempo de quadra, para que, no futuro, a gente possa lançar uma equipe para disputar as maiores competições nacionais.
OP - Como você definiria a projeção do Fortaleza BC a longo prazo? Em quanto tempo o torcedor pode esperar uma disputa por título no NBB?
Thális - Nessa temporada, a gente já começou em cima. Óbvio que todo clube passa por altos e baixos com a questão orçamentária, sempre é um fator muito determinante. Não está muito longe, a gente não pensa nisso como um projeto de longo prazo. É um projeto que a gente já pode visualizar como projeto a médio prazo. Passa por uma consolidação do nosso crescimento nos investimentos, que a gente precisa para todas as frentes que são necessárias: elenco, estrutura, logística e comissão técnica. Então, é um processo que eu posso garantir ao nosso torcedor que dentro dos próximos três ou quatro anos, eu acho que ele vai estar bastante consolidado.