Desde setembro de 2023, a categoria dos servidores técnico-administrativos em Educação (TAE) das universidades e dos institutos federais tem negociado com o governo federal. Um mês antes, em agosto, conquistamos o 3º lugar no Programa Brasil Participativo com a proposta de reestruturação da nossa carreira, e, por isso, os TAEs foram o primeiro segmento do serviço público a apresentar uma pauta própria de reivindicações. Estamos nos aproximando de três meses da maior greve da Educação federal deste século, com mais de 500 campi paralisados, e, de lá para cá, foram cinco mesas de negociação.
Enquanto isso, nove carreiras do Executivo passaram à nossa frente e assinaram acordos de reestruturação com vantagens e significativos aumentos salariais. Algumas dessas carreiras, a exemplo da segurança pública e da área fiscal, possuem elevados padrões de vencimentos dentro do funcionalismo público. Já os TAEs, que somam 224 mil servidores, entre ativos, aposentados e pensionistas, são, ao mesmo tempo, a carreira mais numerosa e a que possui a pior remuneração de todo o serviço público brasileiro.
Por um lado, o governo argumenta que não há espaço no orçamento. Contudo, de janeiro a abril deste ano, de acordo com a Receita Federal, a arrecadação tributária alcançou a cifra de R$ 892 bilhões, sendo que os meses de março e abril bateram recordes históricos dos últimos 30 anos desde a implantação do Plano Real. Ou seja, falta vontade política e sobram desvalorização e precariedade para os trabalhadores da educação.
Não se confirmam na prática os discursos de reduzir as desigualdades dentro do serviço público e de promover a igualdade salarial entre homens e mulheres. 52% dos servidores TAEs são do sexo feminino, e, como maioria representativa da nossa classe, elas não têm sido devidamente recompensadas pela valiosa contribuição dada à educação, à ciência e à soberania tecnológica do País. Na próxima terça-feira, 11 de junho, ocorrerá a sexta mesa de negociação com os TAEs e está nas mãos do governo a tarefa de apresentar uma proposta decente para encerrar a greve com um acordo justo para quem trabalha nas instituições federais de ensino superior.