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Rulio Rocha: Contribuição dos técnicos administrativos para a pesquisa
Opinião

Rulio Rocha: Contribuição dos técnicos administrativos para a pesquisa

Apesar de serem a maior categoria do Executivo, os técnico-administrativos em Educação (TAEs), em relação ao plano de cargos e carreiras, recebem os menores salários de todo o funcionalismo público federal
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Rulio Rocha

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Os servidores técnico-administrativos em Educação (TAEs) atuam em universidades e institutos federais, nos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefetss), no Colégio Pedro II, no Instituto Nacional de Surdos e no Instituto Benjamin Constant. Essas instituições públicas, nas quais esses servidores trabalham, detêm 95% de toda a produção científica nacional, de acordo com a Academia Brasileira de Ciências. Lotados em cerca de 700 unidades educacionais espalhadas pelo País, os 225 mil servidores TAEs atendem a mais de 2 milhões de estudantes.

Além de serem responsáveis por acompanhar o aluno desde o ingresso no ensino superior até a emissão do diploma, os técnicos também agem diretamente no tripé ensino, pesquisa e extensão junto com docentes e discentes. A categoria é uma das mais qualificadas da União, com 90% dos servidores apresentando nível de escolaridade acima do requisito mínimo de entrada nos cargos via concurso. Segundo dados da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), na Universidade Federal do Ceará (UFC), dos 3.151 servidores que compõem o corpo técnico da instituição, 726 (23%) são mestres e 250 (8%) são doutores.

No ano passado, os TAEs tiveram uma grande conquista nesse âmbito. A Lei Federal nº 14.695/2023 regulamentou o acesso a bolsas de pesquisa, extensão, desenvolvimento, inovação e intercâmbio para esses trabalhadores. Atualmente, na UFC, os TAEs coordenam 26 projetos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), 2 projetos do Programa de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), além de termos 62 servidores TAEs coordenando ações de extensão.

Apesar de serem a maior categoria do Executivo, os TAEs, em relação ao plano de cargos e carreiras, recebem os menores salários de todo o funcionalismo público federal, sendo necessário obter o título de doutorado para poder alcançar o teto da remuneração. Nos últimos 90 dias, esse conjunto de servidores esteve em greve para chamar a atenção da sociedade e do governo federal. Investir nessa categoria é defender a educação pública com orçamento para quem ajuda a construir o conhecimento e a pesquisa, tão necessários para o desenvolvimento do País.

 

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