Logo O POVO+
Rosemberg Cariry: Das vítimas e dos carrascos
Opinião

Rosemberg Cariry: Das vítimas e dos carrascos

Um crime contra a humanidade é um crime contra a humanidade. Por isso, junto-me às vozes que exigem que seja estancado o genocídio perpetrado pelos sionistas colonialistas contra o povo palestino
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Foto do Articulista

Rosemberg Cariry

Articulista

Elie Wiesel, conhecido intelectual judeu, afirmou: "Ser vítima não confere ao 'povo escolhido' vantagens ou direitos, apenas obrigações e responsabilidades, principalmente a de contribuir para que novas matanças sejam evitadas". Sinalizou, portanto, para que os judeus de boa consciência, em todo o mundo, se unam em uma só voz, junto com outros povos, para condenar as novas matanças e genocídios, sejam eles contra palestinos, indígenas, ciganos, africanos, haitianos ou qualquer outra nacionalidade, etnia, religião ou cor de pele. As maiores vítimas de hoje são os pobres, os excluídos do mundo e, talvez por isso, quase ninguém mais reclama, normalizando o horror. Mas, nesse alastramento do ódio, qualquer homem pode ser tanto carrasco quanto vítima.

O romancista judeu Romain Gary escreveu: "É triste, apesar de tudo, quando os judeus começam a sonhar com uma Gestapo judaica...". Este grande escritor sabia que os horrores da Segunda Guerra Mundial não foram engendrados por demônios, mas nasceram do engenho humano, na lógica da modernidade capitalista, de forma ordenada e racional, gerando experiências criminosas como as de Auschwitz-Birkenau.

Assim, os homens, todos os homens, mesmo os mais ordinários e comuns, podem ser tocados pela 'banalidade do mal' (Arendt) ao acreditarem que representam apenas o 'bem' ou que são os 'escolhidos de Deus' e, a partir desse credo, espalharem a morte e a destruição. Romain Gary acreditava que nenhuma "raça" ou cor de pele eram suficientes para proteger do nazifascismo. Independentemente de qualquer referência identitária, um fascista é um fascista, e o fascismo é a ideologia do autoritarismo, da morte e do horror.

Israel, com apoio dos EUA, da União Europeia/OTAN e das indústrias de armas, em Gaza e na Cisjordânia ocupada, comete um crime contra a humanidade. Um crime contra a humanidade é um crime contra a humanidade, independentemente da nacionalidade, do gênero, da cor ou do credo religioso de quem o comete. Por isso, junto-me às vozes que, nas ruas e por todos os meios, exigem que seja estancado o genocídio perpetrado pelos sionistas colonialistas contra o povo palestino. A palavra consciência é absolutamente necessária diante dessa barbárie, pois, considerando o que está acontecendo, podemos realmente falar em barbárie, em horrores, sofrimentos e mortes, perpetrados contra um povo que teve os seus territórios ocupados e se vê cada vez mais acuado e destituído do direito de ser uma nação.

 

O que você achou desse conteúdo?