Cuidar daqueles que são vítimas de algum tipo de violência é um percurso que exige um olhar atento e acolhedor. Não há como falar sobre a violência que perpassa a sociedade sem atentar para as necessidades das vítimas, buscando formas de tornar o processo pós-violência o menos danoso possível. Isso vai além da responsabilização e adentra um universo de afeto e atenção.
Esse acolhimento extrapola os limites da rede de apoio própria daquela vítima e chega às vias institucionais. As organizações que atuam nesse tema têm de estar preparadas e capacitadas para escutar e agir sem gerar ainda mais dores nessas pessoas.
Atuamos diretamente com essa temática no Núcleo de Atendimento às Vítimas da Violência (NUAVV), do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), contando com uma equipe interdisciplinar e especializada. Nosso objetivo é que essas pessoas tenham seus direitos respeitados, sem passarem por revitimização no momento em que buscam o acolhimento, ou seja, sem revisitar os acontecimentos violentos a cada atendimento.
Com o NUAVV promovemos a proteção integral às vítimas diretas e indiretas da violência, com foco nos sentimentos das vítimas e de seus familiares. Esse é um trabalho realizado em rede, que precisa ser cada vez mais fortalecido, de modo que as diversas instituições que atuam com proteção tenham um diálogo permanente e um atendimento conjunto.
Isso tudo sem deixar de lado a ação. Trabalhamos em busca da resolução de cada caso que nos chega, tendo ele repercussão no âmbito cível, familiar, etc. Mas tudo isso em um ambiente seguro para os acolhidos, prestando a devida assistência e cuidado.
Nós sabemos que o cuidado é revolucionário. Direcionar atenção às vítimas é caminhar no contra-fluxo da atuação combativa que se espalha nos discursos de ódio proferidos Brasil afora. Nos pautamos no cuidado como forma de fazer revolução, sabendo que o mais importante no nosso trabalho é olhar para as pessoas, defender os direitos humanos que lhe são próprios e garantidos. n