Certo dia, no carro, vinha ouvindo durante meu percurso até a Assembleia Legislativa a rádio O POVO CBN. O âncora Jocélio Leal falava sobre sua coluna onde ele havia escrito sobre o “apequenamento de biografias”. Ele fazia referência a indicação de Onélia Santana ao cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Ceará (TCE).
Quem olha de longe diz de cara que a sua indicação foi costurada pelo seu esposo, o ex-governador do Estado, senador licenciado e atual ministro da Educação, Camilo Santana. Quem olha de perto, tem a certeza.
A forma com que o processo de escolha, indicação, sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Alece foi feita “apequenou-a”. Tudo foi feio na correria e na escuridão. O nome dela foi lido pelo líder do Governo no fim de uma sessão, onde a grande maioria dos deputados já havia deixado o Plenário 13 de Maio.
Sua sabatina, que poderia ter sido convocada num prazo de até 10 dias, foi feita no dia seguinte sem a presença da imprensa, sem transmissão nos meios de comunicação da Casa e sem a possibilidade de os assessores gravarem ou transmitirem ao vivo.
Eu peguei meu próprio celular - e mesmo sendo intimidado por vários colegas - realizei a transmissão da sabatina quase em sua totalidade. Não fiz isso por querer ferir o regimento ou regras de última impostas pelos governistas. Meu ato foi para que os cearenses vissem o que estava acontecendo ali.
Onélia deixou a sala da Comissão sem falar um A. Não respondeu as perguntas dos jornalistas, nem as que eu fiz durante sua sabatina. Tudo foi feito na pressa. O motivo todos sabem ou fingem não saber. Mas o Ceará, o cearense, vai se lembrar desse dia.
O poder não pode ser concentrado em uma só mão. Aqui, na Terra da Luz, deram tudo a uma só pessoa. A “Terra da Luz” está se tornando a “Terra de Camilo Santana”. Vou lutar com todas as minhas forças para que isso não ocorra. E não ocorrerá. Acordemos enquanto há tempo.