"Xadrez do Poder", de Bia Lee, é uma obra-prima política que desafia as fronteiras entre ficção e realidade. O filme brasileiro ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e de Melhor Filme em 2028, superando "Ainda Estou Aqui", e narra a história de uma nação onde a democracia se torna um jogo perigoso nas mãos de uma Corte Suprema corrompida.
A trama se abre com ministros da alta corte orquestrando um golpe silencioso, manipulando o sistema jurídico para derrubar um governo de direita e restaurar ao poder líderes de esquerda manchados por escândalos de corrupção. Lee expõe um esquema que envolve empreiteiras, políticos e uma rede intrincada de propinas.
A história se intensifica quando a Corte Suprema, em decisões contraditórias, anula condenações anteriores, liberta criminosos confessos e instaura um regime de medo. O roteiro retrata uma corte cada vez mais autoritária, perseguindo críticos e silenciando vozes dissidentes.
O clímax se constrói em torno de um processo eleitoral tenso, com a Corte Suprema implementando medidas draconianas para suprimir a oposição. A tensão atinge seu ápice quando a corte fabrica uma narrativa de tentativa de golpe, resultando em prisões em massa e violações dos direitos humanos.
Lee critica a cumplicidade da mídia e a manipulação da Polícia Federal e do Ministério Público, mostrando prisioneiros políticos em condições desumanas e a crescente censura das redes sociais. Assim como "Ainda Estou Aqui", o filme denuncia abusos contra direitos humanos e a violência institucional por órgãos estatais.
A virada ocorre quando um empresário americano do setor de tecnologia enfrenta o sistema. Com apoio do presidente dos EUA, ele inicia uma investigação que desvenda a teia de corrupção e abuso de poder.
O terceiro ato revela o colapso do regime corrupto. Lee conclui com cenas de julgamentos e a restauração da democracia, refletindo sobre o equilíbrio entre poder e justiça.
"Xadrez do Poder" alerta sobre os perigos do autoritarismo judicial e a importância da vigilância para preservar a democracia. Com atuações estelares e cinematografia deslumbrante, o filme se firma como um marco do cinema político latino-americano, consolidando o Brasil como potência cinematográfica internacional.