O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu ontem a ministra da Saúde, Nísia Trindade, deflagrando série de mudanças no primeiro escalão do governo. Para comandar a Saúde, que tem um orçamento de R$ 239,7 bilhões, Lula escolheu o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT). A ideia é ter um perfil mais político no ministério.
Com as mudanças, que continuarão nos próximos dias, o presidente tenta impor um freio de arrumação na segunda metade de seu mandato para estancar o desgaste e se preparar para 2026, quando pretende disputar a reeleição.
Ao deslocar Padilha, que cuidava da articulação política do governo, Lula abre espaço para uma nova troca, justamente na área que trata da difícil relação do Palácio do Planalto com o Congresso. O mais cotado para a cadeira ocupada pelo ministro é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), que foi chamado para uma conversa com Lula na noite de ontem. Caso a ida de Guimarães para o núcleo duro do governo se confirme, a chamada "cozinha do Planalto" continuará nas mãos do PT.
A não ser que haja uma mudança de última hora, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, deve comandar a Secretaria-Geral da Presidência. No Planalto, o único ministro não filiado ao PT é o publicitário Sidônio Palmeira, que, em 2022, foi marqueteiro da campanha de Lula e desde janeiro está à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.
A demissão de Nísia já era esperada e ocorre após semanas de "fritura" no cargo. Sem novas marcas em seu terceiro mandato, Lula queria que ela acelerasse o programa Mais Acesso a Especialistas, lançado em abril do ano passado, mas ainda não chegou a todas as regiões do País.
Na manhã de ontem, Nísia participou da última cerimônia no Planalto, com a presença de Lula. Ela assinou portarias referentes à produção de vacinas contra dengue, influenza H5N8, vírus sincicial respiratório (VSR) e também ampliação do fornecimento de insulina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Fez um longo discurso, em tom de despedida, foi ovacionada pela plateia e agradeceu vários integrantes de sua equipe.
Médico infectologista, Padilha já foi ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff, de 2011 a 2014, e é deputado federal licenciado. Ele se comprometeu com Lula a não deixar o governo no fim de março do ano que vem para disputar nova eleição à Câmara. Este é o prazo dado pela Justiça Eleitoral para que ocupantes de cargos públicos entreguem seus postos.
No ano passado, Padilha chegou a ter duros embates com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que o chamou de "incompetente". Mesmo com a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando da Câmara, Lula avaliava que era preciso trocar o interlocutor político porque Padilha estava desgastado na função.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) informou que a posse de Padilha ocorrerá no dia 6 de março. (Agência Estado)