Podemos e o PSDB aprofundam negociações para uma fusão entre os partidos e, assim, criarem uma sigla de médio porte, visando fortalecimento para as eleições de 2026. No Ceará, contudo, há um desafio de fazer com que a agremiação seja base do governador Elmano de Freitas (PT).
O secretário do Turismo da gestão petista, Eduardo Bismarck, hoje no PDT, mas de "malas prontas" para o Podemos, aposta em diálogo. A sigla é presidida no Estado pelo seu pai, Bismarck Maia. O ex-prefeito de Aracati também faz parte da base aliada do governador, bem como seu outro filho, o deputado estadual Guilherme Bismarck (PSB). O parlamentar foi um dos que saiu do PDT para se filiar ao PSB após racha interno na sigla trabalhista. Ala do partido queria apoiar oficialmente Elmano, enquanto outro grupo queria ficar na posição. No fim, os aliados do governador foram ou para o PSB ou para o PT.
"Óbvio que nós temos um grupo de pessoas que não estão na base atualmente e a gente precisa dialogar com muita atenção e respeito com essas pessoas que lá estão e para que a gente possa dar condições a prefeitos do PSDB, a deputada estadual do PSDB, para que eles possam, querendo, virem para a base do governador Elmano", disse ao O POVO na quarta-feira, 19.
Eduardo destaca que a premissa para que ele vá para o Podemos é de levar o partido, uma vez fundido com o PSDB, para a base de Elmano. O deputado federal licenciado se disse esperançoso.
"É a minha premissa, e eu acredito que dará certo, para eu ir para o Podemos, nesse novo momento, é tendo realmente o partido na base do governador Elmano, mas eu acho que é possível e eu tô bastante confiante", completou.
O PSDB elegeu dois prefeitos em 2014: Roberto Filho, em Iguatu, e Ozires Pontes, em Massapê, ambos como candidatos da oposição, derrotando postulantes apoiados pela base governista.
Já na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), a deputada Emília Pessoa tem uma postura crítica ao PT. Ela foi candidata na disputa pela Prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ao não passar para o segundo turno, escolheu apoiar o então ex-prefeito Naumi Amorim (PSD), embora ele também fosse parte da base do governo, em vez do candidato do PT, Waldemir Catanho.
O Podemos tem uma deputada federal, a recém-filiada Enfermeira Ana Paula, e dois prefeitos: Glêdson Bezerra, de Juazeiro do Norte, reeleito contra candidatura do PT, e Roberta de Bismarck, prefeita de Aracati. Juazeiro, a 527,57 quilômetros de Fortaleza, é o terceiro maior colégio eleitoral do Ceará e teve uma disputa acirrada entre o prefeito agora reeleito e um candidato do PT, o deputado Fernando Santana. Glêdson aglutinou o apoio de nomes da oposição, enquanto Fernando foi apoiado por forças da base governista.
A movimentação dos partidos acontece diante das regras da cláusula de barreira que pressionará ainda mais as legendas para ter desempenho. Está em jogo recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão.