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Com Wagner Moura, 'Guerra Civil' coloca os EUA em conflito consigo
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Com Wagner Moura, 'Guerra Civil' coloca os EUA em conflito consigo

Protagonizado por Wagner Moura e Kirsten Dunst, filme de ação "Guerra Civil" acompanha a luta por sobrevivência de jornalistas que tentam registrar um conflito nos EUA
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Protagonizado por Wagner Moura e Kirsten Dunst,
Foto: Murray Close/Divulgalção Protagonizado por Wagner Moura e Kirsten Dunst, "Guerra Civil" acompanha a luta por sobrevivência de jornalistas que tentam registrar uma guerra civil nos Estados Unidos

Quando pensamos em guerra no contexto contemporâneo, logo lembramos dos Estados Unidos - afinal o país está sempre envolvido em algum conflito, mesmo que indiretamente. Mas essa lembrança não se deve apenas a este fato, mas também acontece graças ao grande número de filmes de guerra que exaltam o país, como "O Resgate do Soldado Ryan" (1998), "Até o Último Homem" (2016), ou o recente vencedor do Oscar de Melhor Filme, "Oppenheimer" de 2023.

O que estes filmes têm em comum? Retratam os Estados Unidos enfrentando inimigos que sempre são pintados como grandes vilões. Em "Guerra Civil" encaramos o país em batalha de outra forma. Aqui o "país da liberdade" se encontra em luta consigo mesmo.

Escrito e dirigido por Alex Garland ("Aniquilação", de 2018), o longa conta a história de uma dupla de jornalistas: Lee (Kirsten Dunst) e Joe (Wagner Moura).

Os profissionais estão em busca de uma última entrevista a ser dada pelo até então presidente do país, que se encontra encurralado em Washington (capital dos Estados Unidos). Logo de início, o filme nos traz pequenos trechos de um discurso sendo ensaiado pelo "representante máximo" do país, já deixando claro que as palavras ditas não são, nem de longe, verdadeiras. E logo em seguida podemos ver de perto o contexto do que está acontecendo nas ruas.

O longa não perde tempo em mostrar que o lado das chamadas "Forças Ocidentais", compostas por dois estados, inicialmente, está prestes a ganhar esta guerra. Mas não esconde o preço desta vitória, por mais importante que ela aparente ser. Logo podemos ver, por exemplo, que existem diversas pessoas aguardando desesperadamente coisas básicas como água e comida.

A direção explora isso de forma voraz. Desde confrontos desproporcionais entre civis e forças armadas até atentados suicidas. Tudo muito bem dirigido, e elevando o clima de tensão durante todo o longa.

Durante um destes protestos, a jovem aspirante a fotojornalista Jessie - vivida por Cailee Spaeny, de "Priscilla" (2023) - é salva por Lee - Kirsten Dunst, de "Homem Aranha" (2002) - e Joe (Wagner Moura) - "Narcos" (2015). E acaba, mesmo que a contragosto de Lee, se juntando a seu grupo em busca da última entrevista do presidente.

A partir daí o filme vira uma espécie de "Road Movie", mas isso não é de forma alguma um demérito, pelo contrário. Já que isso nos dá a oportunidade de conhecer um pouco mais do contexto do que está acontecendo no país como um todo, durante a viagem entre Nova York e Washington. Apesar de não nos dar o contexto e tempo exatos da guerra, o longa nos apresenta situações tensas e intensas que faz o público refletir sobre discussões extremamente atuais do mundo moderno.

Em um dado momento, um personagem questiona os protagonistas de onde eles são, e todos apontam ser americanos, e o mesmo volta a questionar "mas que tipo de americanos?". Esse diálogo curto, mas extremamente forte nos mostra o quão profunda as discussões apresentadas no longa podem ser, mesmo sem nos dar o contexto completo delas. Mas para além de tudo isso, "Guerra Civil" é um filme sobre a importância do jornalismo.

Focando principalmente no fotojornalismo através da personagem de Kirsten Dunst, o longa mostra o peso e o compromisso ao registrar cenas de guerra, as quais muitas vezes ficamos chocados graças a imagem capturada por aqueles profissionais, mas quase nunca nos questionamos da importância deles, ou ainda do preço psicológico que é exigido de quem se compromete a registrar tais fatos tão importantes para história da humanidade. E Kirsten consegue nos mostrar esse preço muito bem em tela.

A atriz é, sem dúvida, o destaque em tela durante todo o longa, enquanto nos mostra o peso horrível que muitas vezes é estar por trás daquelas lentes. Já Wagner Moura, apesar de ter ótimos momentos, tem uma atuação contida, porém isso não é um problema, já que ele consegue dar espaço para Kirsten brilhar, o que é muito importante.

"Guerra Civil" não é um filme que nos entrega sua temática de bandeja, mas sem dúvidas fará seu público refletir sobre ela, mesmo que indiretamente, durante muito tempo. Atual, intenso e inovador em diversos aspectos, é sem dúvidas um dos grandes acertos da carreira de Alex Garland.

Guerra Civil

  • Quando: Estreia quinta-feira, 18
  • Onde assistir: Ingresso.com
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