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Musical em homenagem a Jackson do Pandeiro estreia no Cineteatro
Vida & Arte

Musical em homenagem a Jackson do Pandeiro estreia no Cineteatro

Musical "Jacksons do Pandeiro" chega à Fortaleza neste final de semana; o espetáculo mistura teatro e música para contar a história do artista paraibano Jackson do Pandeiro
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Foto: Renato Mangolim/Divulgação Musical "Jacksons do Pandeiro"

Conhecido como “Rei do Ritmo”, Jackson do Pandeiro foi um músico paraibano nascido em 1919 e que viveu até 1982. Autor de mais de 400 canções, o artista costumava mesclar diversos gêneros musicais brasileiros como samba, forró, coco, baião e frevo. O legado do nordestino ganha uma homenagem com o musical “Jacksons do Pandeiro”, da Barca dos Corações Partidos.

Idealizado e produzido por Andréa Alves, da Sarau Cultura Brasileira, o musical, a peça chega a Fortaleza em 14 de junho e permanece em cartaz até domingo, dia 16. A produtora cultural é a mesma a frente de outros espetáculos que celebram outros nomes importantes para a arte brasileira, como “Elza” e “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”.

O musical conta a história de Jackson não de forma cronológica, mas por meio de seu legado na música brasileira. “Eu quero falar sobre o que o Jackson toca nestes 10 brincantes que estão em cena, que são atores, cantores, músicos”, salienta Duda Rios, que assina o texto do espetáculo ao lado de texto de Bráulio Tavares.

O grupo costuma mesclar tradição com teatro e música em suas produções. Logo, “Jacksons do Pandeiro” não poderia ser diferente para fazer jus à herança sonora de Jackson.

“A ideia de um brincante, onde você não separa o ator do músico do bailarino, todo mundo faz tudo nas brincadeiras de roda”, explica o ator, que já chegou a compor o elenco da obra, mas devido as gravações de “No Rancho fundo” teve de estar de fora das apresentações de Fortaleza.

Nosso objetivo é fazer uma releitura, a nossa maneira, da carreira do Jackson, com a direção de Duda Maia. É um dos espetáculos mais bonitos que nossa trupe já fez, e eu acho que o Jackson, diferente do Gonzagão, ele não ocupa alguns espaços de conhecimento, nem todos ouviram falar dele”, destaca Duda.

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Para traçar as notas que comporam a vida do paraibano, o grupo propôs uma dinâmica em cena de encontrarr pontos da vida de cada um que se relaciona com a do paraibano. “Então, o Jackson nasceu perto de Campina Grande e cresceu lá. O Adrén (Alves), que é um dos atores, também é da mesma cidade, então brincamos nessa mistura dos dois”, conta Rios.

“O Lucas dos Prazeres, de Recife, tem uma herança cultural musical herdada de sua mãe, e o Jackson também tem uma herança musical herdada de Flora Mourão(mãe de Jackson), então brincamos de trazer o que da minha vida trisca na vida do Jackson”, detalha o roteirista e ator.

Além disso, para contar a vida de Jackson do Pandeiro, Duda e Bráulio apostam em uma biografia sincopada, já que o paraibano também era considerado o “Rei da Síncope” (uma técnica musical cujo ritmo indica um acento forte para um caminho e acaba seguindo outro).

“Isso é algo que está presente em todos os nossos ritmos, no coco, forró, coco, MPB, é uma herança africana que incorporamos em nossa música, por isso é tão rica”, explica o artista. “Eu quis escrever junto com o Braúlio Tavares uma biografia sincopada, já que a sincopia é o tempo que trisca em um lugar e vai para outro, quis trazer isso na dramaturgia também”, descreve Duda.

"Onde é que a minha história se encaixa com a do Jackson e fazemos isso a peça inteira. Porque a montagem é sincopada, sem uma ordem linear, ela vai para frente, puxa para trás, depois vem para o meio, e então vai lá para frente de novo. Estamos brincando de contar uma história de 11 brasileiros, sendo nós 10 que estamos em cena mais o Jackson", descreve.

As duas horas de espetáculo não são suficientes, obviamente, para cantar todas as 400 composições de Jackson. Por isso, a trama mistura composições próprias quanto as pertencentes ao paraibano para cantar a história dele.

“Nós já temos o costume de fazer músicas originais para nossos espetáculos, mas como o Jackson tem um repertório rico e grande, prezamos trazer as canções dele junto com 10 músicas autorais nossas, para não deixar nossa marca de lado", conta Rios. São 60 faixas que compõe o musical, sendo 50 de Jackson do Pandeiro.

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“Às vezes, por exemplo, em ‘Sebastiana’, onde o eu-lírico impede a mulher de dançar, uma característica machista da época que passava despercebida pelo público e que não pode mais passar, nós construímos a resposta da Sebastiana para esse homem que a prende, para ficar mais atual”, detalha Duda Rios.

Criar respostas para as músicas foi uma forma de atualizar as composições de Jackson para os dias atuais. Além disso, a trupe percebeu que algumas letras rendiam mais ritmo. “Em ‘Nem vem que não tem’, tem uma parte muito gostosa e muito curta que para a nossa dramaturgia faria sentido ampliar”, finaliza o ator.

Jacksons do Pandeiro

  • Quando: 14 a 16 junho (sexta-feira às 19h, sábado às 15h e domingo às 18h)
  • Onde: Cineteatro São Luiz (rua Major Facundo, 500, Centro)
  • Quanto: a partir de R$ 19,50
  • Ingressos: à venda no Sympla ou na bilheteria física do Cineteatro
  • Mais informações: (85) 98733-8831
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