Quando a Banda UÓ anunciou a turnê de retorno, a expectativa dos fãs fortalezenses era um show na capital cearense. A euforia só cresceu quando os integrantes do grupo afirmaram, durante entrevista coletiva no mês de janeiro com participação do Vida&Arte, que "com certeza teria show em Fortaleza".
"Fortaleza é top cinco de públicos mais amorosos. Os shows que a gente fez na Cidade foram memoráveis", declarou Mateus Carrilho à época. Após meses no aguardo de uma data, ela foi anunciada no dia 1º de junho: a Banda UÓ será uma das atrações do Festival Zepelim, que acontece nos dias 24 e 25 de agosto no Marina Park, marcando também a estreia do grupo no evento.
É a oportunidade que os fãs esperavam para rever a sonoridade pop do grupo, agora incrementada com o amadurecimento artístico de Candy Mel, Davi Sabbag e Mateus Carrilho. Não apenas destaque na cena, a banda foi uma virada de chave para o cenário pop brasileiro ao misturar as batidas do gênero com a do tecnobrega.
Respondendo coletivamente a perguntas enviadas por e-mail (o Vida&Arte solicitou à assessoria que dissesse de quem é cada resposta, mas não foi atendido) a banda goiana relembra o início da carreira e aponta que não havia artistas que entregassem a mesma mistura de ritmos. "O pop sempre existiu no Brasil representado por vários artistas que são nossas referências, inclusive. Mas, a mistura que fizemos foi inédita naquele momento e por isso causamos tanto impacto", ressaltaram.
Como destacam, o gênero é "itinerante" e muda seguindo o fluxo das gerações e estilos. "Hoje, existe uma cena assumidamente pop. Artistas de peso que movimentam festivais e com isso trazem um olhar especial do público em geral", sustentam.
A grande diferença para a geração atual são as redes sociais, que abrem espaço para que artistas exponham seus talentos de forma independente, "conectando o público aos seus gostos e criando as demandas" independente do investimento do mercado. "Além das redes sociais, que permitem que nomes independentes continuem trazendo novas produções e possibilidades", apontam.
No entanto, eles acrescentam que isso não exclui que ainda falta "investimento em artistas que trazem inovação".
Mesmo com a abertura, a banda enxerga que a consolidação do cenário pop brasileiro depende de muitas variáveis. "Como os ritmos brasileiros mais populares estão sempre evoluindo e se mesclando, a indústria vai mudando de cara de acordo com a demanda e suas fusões, além do investimento no segmento".
Os integrantes completam: "O pop é uma grande mistura. Pode ser tudo! E no Brasil não seria diferente. Existe um público muito diverso que consome de tudo, né? No fim, o pop acaba ajudando a fortalecer os ritmos populares, pois também se utiliza deles em sua composição".
Como eles definem, o "pop é uma metamorfose ambulante" e é esse cenário brasileiro tão diversificado que traz um sentimento nesse retorno em 2024: agora eles têm "uma cena que a banda faz parte".
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Festival Zepelim