Abordando temas como tráfico de órgãos, exploração sexual e trabalho escravo, o filme cearense "Na Mão do Palhaço" ganha as telas do 22º Festival Noia. O filme será exibido em sessão gratuita nesta terça-feira, 20, no Cineteatro São Luiz.
O longa-metragem, dirigido e produzido por um time composto por sete profissionais (Daniell Abrew, Adriano Silva, Camilo Vidal, Adriano Silva, Romão Sobrinho, João Guilherme Studart e Angela Escudeiro), tem um enredo denso e repleto de camadas.
A narrativa conta a história de Augusto, conhecido como “O Palhaço", um meticuloso criminoso que se infiltra em uma rede de tráfico de pessoas para salvar sua esposa sequestrada.
O filme explora a degradação moral e psicológica do protagonista. Ele se afunda cada vez mais no mundo sombrio do crime, ao mesmo tempo em que luta com sua própria humanidade.
A produção cearense é um thriller psicológico que mistura ação com drama e une elementos de terror e suspense. Além de abordar a busca desesperada de Augusto, a história mergulha nos horrores de uma sociedade corrompida por redes criminosas.
A trama, que foi gravada em um período de aproximadamente 60 dias, surgiu da combinação de várias influências e observações do cineasta Daniell Abrew sobre a realidade social e cultural do Brasil, especialmente na região Nordeste.
A inspiração para a produção veio dos contos "O Inferno de Saturno" e "Cidade Anônima", ambos escritos por Abrew. Esses escritos exploravam personagens complexos e narrativas conectadas ao submundo do crime, expondo a corrupção e a violência.
"Esses temas já carregavam consigo uma forte crítica social, mas foi a observação do aumento de casos reais de tráfico humano, exploração sexual e trabalho escravo que o impulsionou a desenvolver esses elementos em um filme de longa-metragem", conta o produtor Adriano Silva.
A escolha de situar a história em localidades como Ibiapina, São Benedito, Ubajara e Quixeramobim também reflete a intenção de dar visibilidade a regiões que muitas vezes são marginalizadas no cinema nacional.
"Ao envolver artistas, técnicos e moradores de diferentes partes do Ceará, o filme ofereceu uma representação autêntica e multifacetada da cultura cearense. Isso ajuda a preservar e promover as identidades culturais locais, muitas vezes esquecidas ou marginalizadas em grandes produções", detalha Adriano, que também faz parte do elenco do filme interpretando o vilão "Testa-de-Ferro".
Ele também chama atenção para como essa colaboração ampla e inclusiva reflete a diversidade do Estado, tanto em termos geográficos quanto sociais.
"Ao dar voz a diferentes perspectivas, o filme contribui para uma representação mais justa e equitativa no cinema, combatendo estereótipos e ampliando o escopo de histórias e personagens apresentados ao público", pontua.
"Na Mão do Palhaço" mergulha nas estéticas cinematográficas das décadas de 1980 e 1990, resgatando e reinterpretando elementos visuais e sonoros que marcaram essas épocas. Entre os filmes que serviram de inspiração para a produção, destacam-se "O Acossado" (1960), de Jean-Luc Godard; "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), de Rogério Sganzerla; e "Bullitt" (1968), de Peter Yates.
Festival Noia
O 22º Noia - Festival do Audiovisual Universitário, que acontece entre 20 e 25 de agosto, é resultado de um projeto da Universidade Federal do Ceará (UFC), destinado à divulgação de produções audiovisuais realizadas por universitários de todos os países, com mostra internacional, nacional e local.
"Este festival, com sua tradição de promover produções inovadoras e de vanguarda, oferece uma plataforma única para que obras cinematográficas como 'Na Mão do Palhaço" alcancem um público mais amplo e diversificado, especialmente entre jovens cineastas, críticos e entusiastas do cinema', expõe o produtor Adriano Silva.
Para ele, o festival amplifica o alcance do filme e destaca sua relevância dentro do cenário do cinema independente brasileiro.
"Para um filme cearense que se inspira em movimentos cinematográficos como o Cinema Marginal, a Nouvelle Vague e o Expressionismo Alemão, o Festival NOIA proporciona um espaço de visibilidade que valoriza a ousadia e a originalidade da narrativa e da estética", declara.
Adriano também ressalta que o Noia é reconhecido por sua capacidade de descobrir e promover novos talentos.
"Esse diálogo com uma audiência jovem e engajada pode gerar debates significativos sobre os temas abordados pelo filme. Em resumo, o Festival NOIA não apenas promove 'Na Mão do Palhaço', mas também legitima sua proposta artística e sua importância cultural".
"Na Mão do Palhaço" no Festival Noia