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Cláudia Abreu interpreta clássico de Virginia Woolf em Fortaleza
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Cláudia Abreu interpreta clássico de Virginia Woolf em Fortaleza

Monólogo de Cláudia Abreu escancara complexidades da escritora Virginia Woolf; peça retorna a Fortaleza em temporada na Caixa Cultural
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Cláudia Abreu apresenta 'Virgínia' na Caixa Cultural (Foto: flavia canavarro/DIVULGAÇÃO)
Foto: flavia canavarro/DIVULGAÇÃO Cláudia Abreu apresenta 'Virgínia' na Caixa Cultural

Em "Um Teto Todo Seu", livro da britânica Virginia Woolf (1882 - 1941) editado pela primeira vez em setembro de 1929, há uma análise sobre a necessidade pungente de toda mulher ter um "quarto" onde possa desenvolver hábitos criativos, escrever, pensar e sentir. É uma das obras mais difundidas da autora - quase caindo em um roteiro popular de clubes de leitura e reedições. A ensaísta, entretanto, vai - muito - além do viés comercial.

E essa mesma necessidade de ter um "espaço seu" para refletir outras faces de Virgínia foi encontrada pela atriz brasileira Cláudia Abreu - que encena o espetáculo "Virgínia", baseado na obra da escritora, desta sexta-feira, 28, até o domingo, 30, em três sessões na Caixa Cultural Fortaleza. O monólogo - que teve ingressos extremamente disputados na Capital -, propõe "mergulho profundo" e de "braços plenamente abertos" com a experiência narrativa da autora de obras clássicas da literatura mundial.

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"Essa imersão começou na escrita da peça e tem continuado atuando como Virgínia no palco. Essa experiência profunda e solitária em cena tem me transformado imensamente", pontua Cláudia, em entrevista ao O POVO por WhatsApp, quando indagada sobre os mergulhos possíveis dentro da obra.

Sozinha e soberana no palco, trajando um vestido branco, a atriz gira, sorri, chora, grita, dança, gesticula e envolve o público na teia de textos da escritora britânica. No espetáculo "Virgínia", Cláudia se coloca como autora de teatro pela primeira vez e, apesar da consolidada carreira na dramaturgia, a peça também marca a sua estreia em um monólogo. Em "Virgínia", a atriz tem a si mesma: seu texto e sua voz para ecoar o pensamento da ensaísta morta após um suicídio.

Segundo a atriz e agora autora de teatro, o maior desafio foi justamente este: escolher qual seria o recorte que faria para abordar a vida e a obra de Virgínia Woolf. "Mas percebi que se suas memórias fossem conduzidas pelos fluxos de consciência dela e de outras vozes que estão dentro dela e que foram cúmplices de sua vida, a complexidade de Virgínia apareceria naturalmente", pontua a atriz.

Cláudia Abreu faz primeiro monólogo com "Virginia"

Antes desse encontro para a construção dramatúrgica, porém, Cláudia já havia sido apresentada aos escritos da britânica - morta em 28 de março de 1941, aos 59 anos, quando vestiu um casaco pesado, encheu os bolsos com pedras e se atirou no Rio Ouse.

Entre outros diagnósticos, Virgínia Woolf lidou com um transtorno bipolar durante décadas. Antes dos passos para a água, deixou um bilhete na sala de estar, endereçado ao marido: "Sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou começando a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor".

"Quando li 'Orlando' aos 18 anos, certamente não tive a dimensão da complexidade da obra que tive ao reler recentemente. Mas mesmo assim foi um livro e uma experiência teatral que me marcaram para sempre", explica a atriz que, a partir do reencontro com os livros, teve a pulsão para escrever e encenar a peça.

Em longa temporada em diversas capitais brasileiras, Cláudia revela os "retornos positivos" e as "trocas" feitas com a plateia. "A história de Virgínia emocionar o público, fazer com que as pessoas reflitam sobre si mesmas, sobre a existência, sobre saúde mental, condição feminina, abusos morais e sexuais, e tantos outros assuntos tão importantes e ainda tão atuais, é algo muito importante para mim", finaliza.

 

Monólogo "Virgínia"

Quando: sexta-feira, 28, e sábado, 29, às 18 horas; domingo, 30, às 16 horas, sessão com tradução em Libras

Onde: Caixa Cultural Fortaleza (av. Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema)

Quanto: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)

Vendas: bilheteria presencial da Caixa Cultural Fortaleza

Mais informações: (85) 3453-2770 e @caixaculturalfortaleza

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