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Bienal do Livro abre nova edição nesta sexta-feira, 4, no Centro de Eventos
Vida & Arte

Bienal do Livro abre nova edição nesta sexta-feira, 4, no Centro de Eventos

A Bienal Internacional do Livro do Ceará começa nesta sexta-feira, 4, com 188 estandes, mais de 100 mil títulos, lançamentos literários e diferentes eixos de programação
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FORTALEZA, CEARA, BRASIL, 13.11.22: Bienal internacional do Livro em Fortaleza, movimentação de pessoas comprando, olhando livros e produtos de leitura. (Aurelio Alves/ O POVO) (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES FORTALEZA, CEARA, BRASIL, 13.11.22: Bienal internacional do Livro em Fortaleza, movimentação de pessoas comprando, olhando livros e produtos de leitura. (Aurelio Alves/ O POVO)

Não há como tirar do calendário dos cearenses: ela já está estabelecida como ponto de encontro cultural, literário e editorial. Reunindo milhares de visitantes a cada edição, a Bienal Internacional do Livro do Ceará enfrentou mudanças ao longo de sua história, desde local de realização a conceitos de programação. O público, porém, continua fiel.

Começa nesta sexta-feira, 4, às 9 horas, mais um capítulo de uma história iniciada há mais de 30 anos. Até 13 de abril, o Centro de Eventos do Ceará sedia a XV Bienal Internacional do Livro do Ceará. Com 188 estandes, mais de 100 mil títulos, lançamentos literários e diferentes eixos de programação, a feira volta a ser realizada em Fortaleza.

Entre os destaques, o evento reúne escritoras como Luíza Romão, Aline Bei, Geni Nuñez, Andrea Del Fuego e Socorro Acioli, feira de cordel, espaço inédito para literatura e moda e programações voltadas aos mestres da cultura e à juventude. Gratuito e aberto ao público, segue com o objetivo de democratizar o acesso ao livro e à leitura.

Neste ano, tem como tema "Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres, resistência e literatura". Assim, destaca a produção literária feminina em diferentes âmbitos. A equipe de curadoria é formada por Sarah Diva Ipiranga, Nina Rizzi, Amara Moira e Julie Trudruá Dorrico. A programação pode ser conferida no Instagram @vidaearteopovo e no Portal O POVO.

Coordenadora geral da Bienal, Maura Isidório destaca que esta edição foi o momento de pensar "como as mulheres contribuíram na história da humanidade e de que formas elas foram tratadas". Neste caso, o recorte deu ênfase às mulheres que escrevem ou usam a palavra para disseminar histórias.

Ela pontua diversos desafios enfrentados por mulheres historicamente, como períodos em que não tinham acesso à educação e, consequentemente, tinham dificuldade para se "expressar e publicar livros" — tanto que muitas usaram pseudônimos masculinos. Esse contexto também influenciou na escolha da equipe curatorial, totalmente feminina.

"Precisamos falar sobre nós. Durante muito tempo os homens falaram sobre nós, mas esse processo vem mudando e essa edição vem reforçar a necessidade dessa mudança para a humanização por meio da literatura. Um processo de ativar nossa criatividade, propor alteração de comportamento e contribuir para um mundo mais justo dizendo como as mulheres contribuem", pondera.

Pensar na formação da curadoria também foi um caminho para falar sobre "mulheres silenciadas, invisibilizadas e apagadas", mostrando também sua pluralidade. Na equipe há escritora indígena, escritora negra e mulher travesti. Outra característica é que, segundo Maura, também houve contribuição de homens, porque "é preciso entender que a humanidade precisa unir homens e mulheres para compreender a pluralidade e respeitar a diversidade".

Vale lembrar como a Bienal do Ceará não se restringe a um evento literário, mas também configura uma política pública. Assim, há responsabilidade social e histórica em sua realização. Maura Isidório avalia que, ao longo do tempo, a Bienal criou corpo conforme as demandas sociais e o seu primeiro legado é incorporar necessidades do campo da leitura.

Além disso, há grande expectativa de público, com participação de crianças e jovens a partir de visitações escolares. Os contextos econômicos também são observados, pois o evento movimenta milhões de reais e emprega centenas de pessoas, direta ou indiretamente.

"A Bienal ultrapassa o limite dos marcos econômicos. Uma das coisas que é intangível é o prazer da sociedade cearense, dos visitantes e convidados em participar do evento. Isso não se mensura em números, mas no comportamento e nas falas que essas pessoas expressam ao acessar a Bienal Internacional do Livro do Ceará", argumenta.

No centro de mesas, lançamentos, contação de histórias e outras programações, a Bienal presta homenagens a mulheres importantes da Literatura. A Bienal vai ter também a Casa Vida&Arte - que abraça as ações celebrativas aos 40 anos da Fundação Demócrito Rocha (FDR), os lançamentos e os livros das Edições Demócrito Rocha (EDR) e uma programação do Vida&Arte, caderno de cultura do O POVO, e do O POVO . No espaço, será realizada ainda homenagem às "histórias de mulheres que ultrapassam os limites sociais e as imposições regidas pelo gênero".

São mulheres que "desafiam os costumes e se dedicam ao ofício da narrativa, seja jornalística, literária ou ambas as formas", que contam histórias que não se limitam ao termo "literatura feminina" ou do que socialmente se impõe como "interesse do público feminino", como destaca a diretora de Jornalismo do O POVO, Ana Naddaf.

A lembrança das personalidades é influenciada pelo tema da Bienal e se espalha graficamente pela Casa Vida&Arte. No local, serão realizadas entrevistas, lançamentos e outras ações. Quanto às personalidades homenageadas, são lembradas Rachel de Queiroz, Albanisa Sarasate, Adísia Sá, Ana Miranda, Regina Ribeiro e Ana Márcia Diógenes.

"Poderiam ser mulheres na ficção de seus próprios livros, personagens de suas reportagens e contos, ou de outras autoras presentes no O POVO, na Bienal. Além disso, são representantes que confirmam o intuito desta Bienal, ao ser um espaço de diálogo sobre mulheres, sobre o feminino, mas também sobre literatura e resistência", aponta.

A jornalista ressalta a importância da parceria com a Bienal. Para além da comercialização de livros e do lançamento de obras, o evento "é um espaço de valorização da cultura e da educação". "O intuito é estar presente e olhar para uma literatura que ultrapassa os limites do livro, mas como meio de incentivar e ampliar o alcance das histórias, das mais diferentes narrativas, das mais diversas vozes e escritas. Promovendo uma literatura que esteja em todos os lugares, que alcance os mais variados perfis de leitores", compreende.

Destaques da Programação

Pedro, quase invisível

Entre as ações que acontecem no domingo, 13, a jornalista e coordenadora do Vida&Arte, Lara Montezuma, indica o lançamento do livro "Pedro, quase invisível", escrito pela jornalista e professora Alê Oliveira. A história infantojuvenil é baseada do Edifício São Pedro, demolido em 2024, e retrata a amizade do prédio com uma erva daninha. Juntos, estes personagens investigam o desaparecimento de edificações históricas de Fortaleza. A partir da pesquisa sobre o campo urbano, a escritora busca discutir, com linguagem acessível, a relação entre memória e patrimônio. “Possibilitar o primeiro contato com estes assuntos ainda na juventude amplia a educação patrimonial e possibilita reflexão acerca da construção da Cidade”, enfatiza.

  • Quando: domingo, 13, às 15 horas
  • Onde: Quadra Literária 

Bob Dylan

Expandindo as linguagens de alcance da Bienal, é realizado no sábado, 5, um show em homenagem ao cantor, compositor e escritor americano Bob Dylan, “o Músico Nobel de Literatura”, como destaca o título do evento. A apresentação é comandada pelo cantor, guitarrista e compositor paulista radicado no Ceará, Felipe Cazaux. Referência no Blues Rock nacional, ele reúne convidados para a atração.

  • Quando: sábado, 5, às 18h30min
  • Onde: Salão Taíba, Mundaú e Almofala - Pavilhão Térreo

Literatura Indígena

No domingo, 6, a Arena Bece reúne rodas de conversa em sua programação. Uma delas, “Ancestralidade e Literatura Indígena”, começa às 15 horas e reúne as escritoras Trudruá Dorrico (RO) e Genin Nuñes (MS), com mediação da professora Suene Honorato. Às 18 horas, as autoras Andrea Del Fuego (SP) e Aline Bei (SP) participam da roda de conversa “Mulheres que Escrevem, Histórias Contam”, com mediação de Ana Karine Garcia.

  • Quando: domingo, 6, às 15 horas e às 18 horas
  • Onde: Arena Bece

Conversas Ancestrais

A sala 8 do 1º Mezanino - Oeste recebe na terça-feira, 8, a atividade “Conversas Ancestrais: Artes da Tradição Oral”. Participam da ação Mestra Zilda Torres (Teatro de Bonecos), Klévisson Viana (Literatura de Cordel, desenho) e Mestre Pádua de Queiroz (Literatura de Cordel). Com mediação de Ewelter Rocha, a iniciativa integra o eixo “Oralidades, Ancestralidades, Mestras e Mestres da Cultura” e visa valorizar a tradição oral.

  • Quando: terça-feira, 8, das 14h às 17 horas
  • Onde: Sala 8 do 1º Mezanino - Oeste

Uma Revolução de Leituras

O poeta, produtor cultural e editor Talles Azigon sugere ao leitor a mesa “Uma Revolução de Leituras”, realizada na quarta-feira, 9, às 16 horas, com “um dos maiores nomes do universo da mediação de leituras e bibliotecas comunitárias do Brasil, talvez até do Mundo. “Bel Santos Mayer é uma Griô que coloca sua voz e tem o poder de apaziguar e levantar revoltas a serviço das periferias literárias do Brasil”, afirma. A mesa também conta com a professora e poeta Claudiana Alencar e mediação de Anita Moura, criadora do movimento Livro Livre Ceará. “Essa mesa é um curso inteiro de mediação de leitura”, caracteriza.

  • Quando: quarta-feira, 9, às 16 horas
  • Onde: Sala 2 do 2º Mezanino Oeste

Transver o Mundo

No eixo “Literatura e Juventude”, destaque para a roda de conversa “Transver o Mundo: Poéticas e Estéticas Trans na Construção do Futuro”. A atividade é protagonizada pela pesquisadora e escritora Helena Vieira, pela atriz Verónika Valenttino (vencedora do Prêmio Shell de Melhor Atriz pelo musical “Brenda Lee e o Palácio das Princesas”) e pela poeta APÊAGÁ. O encontro ocorre às 15 horas. Na sequência, às 16 horas, APÊAGÁ realiza performance poética.

  • Quando: quarta-feira, 9, às 15 horas
  • Onde: Salas 9 e 10 do 2º Mezanino Oeste

Histórias em Libras

A atriz, professora, tradutora de Libras e Contadora de Histórias em Língua Brasileira de Sinais (Libras), Lyvia Cruz, protagoniza atividade na Bienal no sábado, 12. Como parte do eixo “Literatura e Infância II”, ela leva ao público a ação “Histórias Contadas com as Mãos”, na qual conta histórias em Libras. A artista surda trabalha em suas obras a acessibilidade estética, transmitindo os sentimentos das peças em sua plenitude.

  • Quando: sábado, 12, às 12 horas
  • Onde: Salas 3 e 4 do 1º Mezanino - Oeste
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