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Empoderar mulheres nas empresas é uma estratégia de sucesso!
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Adriana Schneider é CEO da Humanare by Cicclos, consultoria referência nacional em Gestão Humanizada e Certificada com Empresa B. É embaixadora do Capitalismo Consciente no Brasil. Membro ativa da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), Grupo de Praticantes de Estruturas Libertadoras, Facilitadores do Thinking Environment, Teoria U (MIT), Comunicação Não Violenta (CNV). Psicóloga, pós-graduada em Educação pela PUC-Rio. Foi gerente de grupo de produtos de Educação Corporativa e Sustentabilidade do Senac Rio, gerente de Produtos Online da FGV e diretora de Relacionamento da Etalent.

Empoderar mulheres nas empresas é uma estratégia de sucesso!

Quando as mulheres entram numa nova empresa, 85% delas acreditam ter igual oportunidade de progressão. Porém, depois de mais de cinco anos na empresa, a percepção vai mudando e desce para os 59%
Tipo Opinião
Liderança feminina é desafio, mas precisa ser incentivada no mundo corporativo. (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução Liderança feminina é desafio, mas precisa ser incentivada no mundo corporativo.

Eu sou líder de áreas e negócios há mais de 20 anos, no final de 2022 aceitei o convite de ser conselheira executiva de uma startup de informações financeiras e acabo de mudar minha função na empresa que fundei, me tornei CVO (Chief Vison officer), trouxe para mim o desafio de ser a guardiã do Propósito, dos Valores e da Visão da Humanare, responsável por buscar novas soluções e maneiras de alcançar os objetivos da empresa cuidando das pessoas e das relações institucionais.

Lendo o que escrevi, soa como um descritivo de Linkedin, que faz uma carreira parecer fluida, mas não é. Sou mãe, filha, esposa, amiga e divido as tarefas da casa. Ao longo dos anos aprendi a sufocar a culpa de não ser tão presente, prendada, disponível e estudiosa quanto gostaria. Aprendi a segurar o choro, minimizar a culpa, a rir da minha ginástica com as agendas, a apertar o botão de emergência quando os sinais de burnout ficam evidentes e a pedir ajuda quando não estou dando conta.

Ao longo da minha carreira, fui desconstruindo em mim e nas minhas equipes a crença de que para sermos bem-sucedidos e crescermos profissionalmente é preciso lutar o tempo todo, saber mais, trabalhar mais, transitar entre a defesa e o ataque e principalmente, abrir mão de outras dimensões da vida.

Para dar certo, investi em redes de apoio, relações ganha-ganha, procurei servir para uma causa maior e compartilhada. Investi, de forma intuitiva, em equipes essencialmente femininas, formada por pessoas interessantes, integras, com histórias, perspetivas e talentos diferentes e melhores que os meus. Cuido para que saibam disso e se sintam desafiadas a realizarem em coletivo. Cuido para que os homens se sintam parte desse movimento.

Mas Adriana, onde você quer chegar com sua história?

Calma, vou explicar: participei do evento Women Matter 2023 Portugal para de apresentação de resultados de uma pesquisa realizada em 45 empresas europeias pela McKinsey & Company. Descobri que a minha história se assemelha a de muitos profissionais de empresas de porte e nacionalidades diferentes.

A pesquisa contemplou 300 mil funcionários (homens e mulheres) que responderam sobre suas expectativas para o trabalho e a desigualdade entre gêneros. Tenho certeza de que você identificará perspectivas similares às suas ou de mulheres próximas a você.

A pesquisa trouxe dados de que quando as mulheres entram numa nova empresa, 85% delas acreditam ter igual oportunidade de progressão. Porém, depois de mais de cinco anos na empresa, a percepção vai mudando e desce para os 59%.

E-book sobre liderança feminina.
E-book sobre liderança feminina. (Foto: Reprodução / Humanare)

A União Europeia, desde 2022 exige cota de 40% para mulheres nos conselhos, porém poucos países como Portugal têm alguma legislação nacional sobre igualdade de gênero em conselhos. E, apesar de existir uma quota de 33,3% de mulheres em conselhos de administração, são mais 30% dos homens a alcançar os cargos de liderança.

Dentro dos conselhos de administração, as mulheres ocupam cargos relacionados mais com tarefas do que com decisões 41% das mulheres desempenham funções de staff e só 28% dos homens fazem as mesmas tarefas.

Apesar de 80% dos locais de trabalho das empresas investigadas terem medidas para apoiar os colaboradores com crianças, ao se tratar da vida familiar, as funcionárias sentem que são mais penalizadas devido ao excesso de trabalho. Enquanto 49% delas diz ser responsável pela maioria ou totalidade das tarefas domésticas, apenas 15% dos homens declaram fazer o mesmo. Talvez por isso elas revelem níveis mais elevados de burnout 45% sentem-se quase sempre em esgotamento, os homens representam 33%.

A liderança masculina ainda domina a esfera empresarial e a sociedade no geral, porém as estatísticas mostram que trabalhadores (homens e mulheres) declaram que quando a gestão é feminina há uma maior preocupação com o bem-estar das suas equipes propiciando maior flexibilidade e que quando recebem novos funcionários, preocupam-se com a sua integração, através de mentorias.

Nas empresas com lideranças femininas, a satisfação dos funcionários é mais elevada 79% declaram estar satisfeitos com suas líderes. Quando há uma menor presença de mulheres na liderança, a satisfação desce para os 65%. Ao investigar esses dados, o estudo mostrou que gestoras mulheres têm, tipicamente, maior preocupação com o crescimento profissional das suas equipes.

A pesquisa quantifica a importância de ter líderes também mulheres para a maior satisfação dos colaboradores. Somos reconhecidas por sermos mais sensíveis, flexíveis, cuidadoras, humanas, atentas e dedicadas a eles e isso é uma excelente estratégia de desenvolvimento e retenção de talentos nas empresas.

Qual é a realidade da liderança feminina para além da Europa?

Nos EUA, todas as empresas do S&P 500 - índice em que as 500 maiores empresas do país estão listadas, possuem, pelo menos, uma mulher em seus conselhos de administração. A revista Forbes, informou que o ano de 2023 começou com um recorde histórico de 53 mulheres ocupando cargos de CEOs das Empresas Fortune 500, totalizando mais de 10%.

Mulheres como Jennifer A. Parmentier da Parker Hannifin , Karen Lynch da CVS Health, Rosalind Brewer da Walgreens Boots Alliance, Safra Catz da Oracle, Jane Fraser do Citigroup, Mary Barra da General Motors entre outras CEOs femininas têm mostrado que houve uma evolução gradual da diversidade feminina nas organizações, com avanços significativos nos últimos anos nos EUA e no mundo.

Um estudo realizado pelo Peterson Institute for International Economics, revelou que empresas com ao menos 30% de presença feminina em cargos executivos ou C-Level têm um lucro 15% maior do que as outras.

No entanto, apesar dos avanços, ainda há muito por fazer para que as mulheres sejam realmente representadas no ambiente de trabalho. Nos últimos anos, as empresas têm implementado diferentes iniciativas para aumentar a diversidade feminina. Por exemplo, a Microsoft lançou uma campanha chamada "Diversidade e Inclusão", que visa aumentar a participação das mulheres na força de trabalho da empresa.

Além disso, muitas organizações também estão adotando políticas de igualdade de gênero, como a criação de cotas de mulheres em cargos de liderança.

Uma tendência que está se tornando uma prática cada vez mais comum é o incentivo de líderes mulheres como mentoras para outras mulheres na empresa. Isso tem sido possível graças à crescente conscientização das organizações sobre a importância da diversidade na força de trabalho. Estudos mostram que, quando há uma maior diversidade, as organizações tendem a ter melhores resultados no que diz respeito à criatividade, inovação e produtividade.

Qual é o panorama da liderança feminina do Brasil?

É importante destacar que, no Brasil, as mulheres só começaram a conquistar espaço no mercado de trabalho nos anos 70, quando a lei 5.811/73 extinguiu as restrições impostas às mulheres para se aposentarem. A partir daí, a participação feminina no mercado de trabalho foi aumentando gradativamente, inclusive em lideranças.

No Brasil, também notamos avanços significativos em relação à diversidade feminina nas organizações. Além disso, as mulheres brasileiras também têm obtido significativos avanços em termos de salário, atualmente ganhamos cerca de 80,8% do que os homens ganham em relação à mesma função, o que representa uma grande melhoria em relação aos números anteriores.

Embora ainda haja muito o que fazer pela representatividade das mulheres nas organizações, a liderança feminina vem crescendo em diversos setores. Empresas como Suzano, Vibra Energia, Energisa, Metalúrgica Gerdau, SulAmérica, CPFL, Grupo Soma, Arezzo, AES Brasil, Gol Linhas Aéreas entre outras demonstram o investimento na equidade de gênero tem um impacto positivo nos resultados das empresas.

Brasileiras executivas como Luiza Helena Trajano do Magazine Luiza, Maria Paula Capuzzo da Colgate-Palmolive no Brasil, Cristina Junqueira do Nubank, Cristina Palmaka da SAP Brasil, Gisselle Ruiz Lanza da Intel Brasil são exemplos de a liderança feminina que que chegaram a posições de alta performance em áreas dominadas por homens como tecnologia, finanças e varejo.

Nesse sentido, essencial que cada vez mais organizações do Brasil criem ações estratégicas para que as mulheres ganhem mais espaço e possam ocupar mais cargos de liderança. Oferecer infraestrutura para a maternidade, flexibilização de horários, mentorias e treinamentos para progressão, criar cotas e metas corporativas para a construção de uma cultura realmente equilibrada, inclusiva equânime e diversa onde as mulheres estejam de fato inseridas nas tomadas de decisão.

Empoderamento feminino no mercado de trabalho não é apenas uma reparação histórica é um investimento na sociedade e nas gerações futuras!
Obs: para quem quiser saber mais sobre o tema, compartilho com vocês um e-book!

Clique aqui para baixar o PDF.

Foto do Adriana Schneider

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