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O que diz a pesquisa de intenção de votos?
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Cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Autor de vários livros que abordam o comportamento do eleitor. Membro do Grupo de Pesquisa Comunicación Política e Comportamento Electoral en América Latina. Atualmente desenvolve pesquisas qualitativas e quantitativas de Opinião Pública

O que diz a pesquisa de intenção de votos?

Antes da intenção de voto estão os sentimentos (desejos, crenças, emoções) dos eleitores. Eles são as causas da intenção de votos. Sem os sentimentos não podemos saber as razões da escolha do eleitor
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FORTALEZA, CE, BRASIL, 16-02.2022: Urna Eletronica. Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), apresentação das novas urnas eletrônicas modelo 2020. em epoca de COVID-19. (Foto:Aurelio Alves/ Jornal O POVO) (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves FORTALEZA, CE, BRASIL, 16-02.2022: Urna Eletronica. Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), apresentação das novas urnas eletrônicas modelo 2020. em epoca de COVID-19. (Foto:Aurelio Alves/ Jornal O POVO)

Frequentemente recebo pesquisas quantitativas de intenção de voto acompanhadas de análises especulativas sobre o presente e o futuro. Raramente, após a eleição, recebo recortes de notícias sobre pesquisas de intenção de votos revelando que o resultado da eleição foi diferente daquela pesquisa outrora divulgada e analisada. Imprensa, políticos e marqueteiros dão importância demasiadamente exagerada às pesquisas de intenção de votos.

O eleitor, a uma certa distância da eleição, responde à pergunta clássica realizada pelas empresas de pesquisa: Em quem você pretende votar na eleição de 2026 para presidente da República? A primeira resposta é espontânea. A segunda, estimulada. Os resultados advindos das respostas geram inúmeras especulações, por exemplo: "No segundo turno, Tarcísio, Flávio e Michele empatam com Lula". Diante da chamada jornalística, vários "analistas" criam diversas hipóteses para explicar, se é que explicam, as razões do empate técnico no turno final.

Em toda eleição, encontro os candidatos falsamente favoritos, os quais lideram na intenção de voto, mas perdem a eleição. Um caso emblemático foi ACM Neto na última eleição para o governo da Bahia. Hoje, estou diante de várias pesquisas de intenção de voto que trazem os falsos favoritos. O problema é que os falsos favoritos criam na imprensa e entre marqueteiros e políticos, uma balbúrdia especulativa que possibilita que estratégias, escolhas e previsões sejam construídas e realizadas equivocadamente.

Antes da intenção de voto estão os sentimentos (desejos, crenças, emoções) dos eleitores. Eles são as causas da intenção de votos. Sem os sentimentos não podemos saber as razões da escolha do eleitor. Quando você descobre, qualitativamente, os motivos do voto (sentimentos) para com os candidatos e a conjuntura, é possível você monitorá-los e, por consequência, explicar os motivos que fazem o candidato liderar e quais as possibilidades dele declinar ou crescer com o tempo.

Pedro, candidato a governador, tem 45% dos votos. O seu adversário, o governador, 35%. O primeiro é visto como político preparado, experiente e dedicado (sentimento 1). O segundo, como alguém que faz pouco, não trabalha (sentimento 2). Todavia, com o tempo, os sentimentos para com o governador mudam. Agora, ele é dedicado, trabalhador e vem cumprindo as promessas. Mesmo que as pesquisas de intenção de voto ainda não captem esse novo sentimento do eleitor, a pesquisa qualitativa já constatou e antecipou o crescimento eleitoral do governador. Conclusão: Sentimentos importam mais do que números.

 

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