
Coordenador do Esportes O POVO. Jornalista curioso sobre os bastidores do mundo da bola e apaixonado pelo jogo nas quatro linhas
Coordenador do Esportes O POVO. Jornalista curioso sobre os bastidores do mundo da bola e apaixonado pelo jogo nas quatro linhas
Apesar das muitas frases feitas usadas para simbolizar um momento do futebol, talvez nenhuma seja tão certeira quanto uma que não se refere às quatro linhas e vale tanto para a vida quanto para o esporte: rei morto, rei posto.
O dirigente que não estiver agradando ao torcedor não será reeleito — ou, em tempos de executivos à frente dos clubes, será desligado —; o treinador que não der resultado vai entregar a prancheta e o boné; e o jogador que receber uma proposta vantajosa irá rumar para novo destino.
E em todos esses casos, seja por decisão do clube ou do profissional, a necessidade de reposição é imediata. Muitas vezes já se demite alguém com o substituto engatilhado. Mas o momento do adeus é tão ou mais importante que a hora da chegada, em que as expectativas estão alinhadas e o otimismo é contagiante. Sempre restará alguém contrariado ou resignado na despedida.
Por isso chamou atenção o "até logo" sob forte emoção de Juan Pablo Vojvoda depois de mais de 1.500 dias à frente do Fortaleza. Quatro anos não são quatro meses, é bem verdade, mas quantos profissionais são demitidos por causa dos resultados ruins e recebem um caloroso abraço da torcida no último contato? Quanto estrangeiros conseguem se conectar com o clube e com a cidade de maneira tão natural e profunda?
Vojvoda não viveu só alegrias no Pici. Amargou derrotas doídas, viu a torcida protestar uma dezena de vezes, "enquadrou" jogadores, discutiu, ficou insatisfeito... Mas rapidamente "zerava". O argentino talvez seja um dos grandes exemplos de que é preciso endurecer, mas sem perder a ternura.
Vojvoda é um idealista nato. Por vezes tachado de ingênuo ou excessivamente corajoso, mas a liberdade das amarras limitantes o fizeram levar o Fortaleza aos maiores patamares da história. Nos momentos de dificuldade, o treinador gostava de repetir que "não há projetos impossíveis, há pessoas impacientes".
O filho pródigo de General Baldissera é paciente. Não se furtava a estender a mão e oferecer novas oportunidades aos jogadores contestados — e pecava por excesso, às vezes. Também contou com bastante paciência do Tricolor e das arquibancadas, passando praticamente quatro anos sem contestação.
Mas os ciclos se fecham, na vida e no futebol. Vojvoda aproveitou enquanto pôde as idas à praia — inclusive em frente à própria residência —, à igreja (quase) todo dia 13, a Canindé, aos shoppings, aos restaurantes... Quarenta e oito horas depois, o novo dono do trono já estava escolhido. A velocidade é uma necessidade, não escolha. Mas Juan Pablo deixa um peso tão grande quanto o legado para quem sentar no banco de reservas. A passagem de bastão do maior ídolo do Fortaleza deixa isso claro.
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