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Fair play financeiro no Brasil: agora vai?
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Coordenador do Esportes O POVO. Jornalista curioso sobre os bastidores do mundo da bola e apaixonado pelo jogo nas quatro linhas

Fair play financeiro no Brasil: agora vai?

CBF reúne clubes, federações, entidades e nomes técnicos para elaborar o sistema do futebol brasileiro e não deve copiar, mas se inspirar em modelos europeus
Pedro Daniel, diretor executivo da EY, em reunião do grupo de trabalho da CBF sobre fair play financeiro (Foto: Staff Images / CBF)
Foto: Staff Images / CBF Pedro Daniel, diretor executivo da EY, em reunião do grupo de trabalho da CBF sobre fair play financeiro

No dia 11 deste mês, a CBF reuniu representantes de 34 clubes, dez federações estaduais e mais de uma dezena de nomes técnicos para debater o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) do futebol brasileiro. É o famoso fair play financeiro, que aparece como tábua de salvação da vez.

Os times terão limitações nos investimentos? Não haverá mais salários milionários para jogadores e técnicos? Um novo técnico só poderá ser contratado quando a equipe acertar a rescisão do anterior? Os "calotes" serão punidos? Existem diferentes formas de fair play financeiro, sobretudo na Europa — tanto da própria Uefa, quanto das principais ligas nacionais.

O grupo de trabalho formado pela CBF, que conta com Ceará e Fortaleza, terá a missão de apresentar o modelo do futebol brasileiro e apresentar no fim de novembro. A referência a "jogo limpo" é justamente para que haja melhores práticas de gestão dos clubes.

"É um pilar fundamental para o sucesso do nosso setor. O ambiente sem regulação é o mais propício para o aventureiro", alerta Pedro Daniel, diretor executivo da EY, à coluna. Ele foi um dos palestrantes no encontro da CBF, o qual classificou como "pontapé inicial", e compõe o grupo de trabalho.

A pauta é considerada uma das prioridades da gestão do ainda recentemente empossado presidente da CBF, Samir Xaud. A entidade quer maior controle nas finanças do clube, para evitar que haja investimentos além da capacidade de receita de uma equipe, o que geraria — ou agravaria — o déficit. Ou o caso mais comum no futebol brasileiro, em que times com dívidas bilionárias seguem fazendo contratações com cifras vultosas.

 

Na Europa, por exemplo, clubes como Barcelona, Manchester City, PSG, Chelsea, Milan e Inter de Milão já foram punidos por descumprir as regras.

Pedro Daniel pondera que "não tem receita de bolo" para copiar um modelo de fair play financeiro, mas o Brasil tem a vantagem de ver os prós e contras de outros países. "Como os outros já implementaram, cada um a sua realidade, dá para a gente pular essas curvas de aprendizado e entender qual é a nossa realidade", avalia o especialista.

O grupo recebeu 90 dias para elaborar o projeto e apresentar à CBF, o que mobiliza trabalho técnico dos especialistas, discussões e reuniões virtuais depois do encontro geral no Rio de Janeiro.

"Boa parte da cadeia produtiva do futebol sentada na mesma mesa para discutir isso já demonstra claramente que a vontade é coletiva", diz Pedro Daniel, com otimismo sobre o andamento. "É uma construção coletiva, na qual a gente tem que tomar cuidado na dosagem para não criar uma situação desafiadora para o cumprimento da regulação que vai ser implementada", finaliza.

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