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Fortaleza no mercado da bola: transparência ou conveniência?
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Coordenador do Esportes O POVO. Jornalista curioso sobre os bastidores do mundo da bola e apaixonado pelo jogo nas quatro linhas

Fortaleza no mercado da bola: transparência ou conveniência?

Fortaleza não tem divulgado detalhes nas chegadas e saídas de jogadores, ao contrário do que era rotina nos anos anteriores
Tipo Opinião
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FORTALEZA, CEARÁ,  BRASIL- 21.01.2026: Coletiva com Rolim Machado, presidente do Fortaleza e Bruno Cals presidente do Conselho da SAF do Fortaleza. (Daniel Galber/Especial para O POVO) (Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO)
Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL- 21.01.2026: Coletiva com Rolim Machado, presidente do Fortaleza e Bruno Cals presidente do Conselho da SAF do Fortaleza. (Daniel Galber/Especial para O POVO)

Já foram 18 saídas de jogadores, cinco contratações, duas aquisições em definitivo e nenhum valor ou detalhe divulgado. Até o momento, este é o saldo do Fortaleza no mercado da bola entre dezembro e janeiro — com a constante possibilidade de outras despedidas e a expectativa por mais chegadas.

Nos últimos anos, o Tricolor era um dos poucos clubes a divulgar transferências com transparência exemplar, expondo valores, percentuais de direitos econômicos, tempo de contrato e, por vezes, até o tempo de parcelamento. Houve exceções, claro, como na venda de Hércules, em que não foi explicado com quanto o Leão ficou.

Para 2026, a mudança de postura foi completa. Da aquisição de Pierre à venda de Breno Lopes, do empréstimo de Guzmán à mais de uma dezena de rescisões feitas, as notas do Fortaleza se resumiram a citar a trajetória dos jogadores e agradecer pelos serviços prestados ou desejar sucesso — alguns tiveram textos mais enxutos, como Lucero e Deyverson, donos dos maiores salários do elenco de 2025.

Dias após assumir a presidência do Conselho de Administração da SAF, Bruno Cals concedeu entrevista coletiva, desviou de muitas perguntas citando "estratégia" durante a janela de transferências e prometeu uma nova entrevista para o início de março, após o período de contratações ser encerrado.

Mas a data cairá entre as finais do Campeonato Cearense, em que se imagina que o Tricolor estará, provavelmente com um Clássico-Rei a disputar. Haverá clima para detalhar números e expor boas e más negociações às vésperas de uma eventual decisão?

O discurso de estratégia soa como conveniência em um momento que pede transparência, já que os torcedores tinham uma visão sobre as finanças do clube e se depararam com a dura realidade: salários e impostos atrasados, poucas receitas à disposição, demissão em massa de funcionários, acordos a honrar e necessidade de formar uma "folha paralela" para liberar atletas de maneira imediata.

O motivo dos investimentos ruins do Fortaleza em 2025 não foi a transparência, que já havia nos outros anos, quando o clube era elogiado nacionalmente por boas negociações — e realizou compras de preços justos e vendas em cifras mais altas. O silêncio dá mais margem à impressão de terra arrasada após o rebaixamento.

Quem não tem tido o direito de se inteirar dos detalhes é o torcedor, que se depara com um novo esqueleto a cada armário que é aberto. Se a SAF aponta governança e profissionalismo como bandeiras, transparência também deveria ser, senão a sensação de caixa preta como uma bomba-relógio prestes a explodir novamente será constante.

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